Mostrar mensagens com a etiqueta O Jogar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O Jogar. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Quando Sterling e Diogo Jota bateram Holding nas alturas - uma reflexão sobre a "Estatura"

Dois golos sofridos pelo Arsenal em jogos diferentes com o mesmo padrão comum: cruzamento ao segundo poste e um baixinho ganha o duelo aéreo ao grandalhão.


No caso, primeiro Sterling e depois Diogo Jota, 1,70m e 1,78, respectivamente, "bateram" Rob Holding, de 1,88m, nas alturas.

Não queremos aqui parecer fundamentalistas. Mas a verdade é que acabamos muitas vezes por questionar o porquê de valorizarmos tanto a questão da estatura em certas posições como a de defesa-central e a de guarda-redes.

Temos consciência que com uma elevada estatura, estamos mais propensos a ter sucesso em determinadas situações de jogo, mas a realidade é que lances como estes a top provam que essa característica possa não ser assim tão determinante como possa parecer.

Além disso, acreditamos que ao sobrevalorizar a questão da estatura para um defesa-central, corremos o risco de estar a “reduzir” muito a potencialidade deste jogador, correndo mesmo o risco de retirar ao Jogo o seu lado Táctico. Ou seja, considerando a estatura como um filtro indispensável para a selecção de um defesa-central, podemos não estar a olhar para todo o lado mais colectivo e complexo do Jogo.

Até porque uma boa estatura não implica directamente uma boa capacidade de cabeceamento. Para isso é também importante uma boa técnica de corrida e de chamada, uma boa capacidade de impulsão, uma boa noção de timing de salto… além do tal lado mais Táctico como o posicionamento, a colocação dos apoios, a antecipação…

Coisa que Rob Holding não teve contra Sterling e Diogo Jota.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Daniel Bragança e mais uma reflexão sobre o conceito de Posição

Foto: Observador
“As posições são importantes para potenciarem as relações que queremos criar no nosso jogo, seja a defender ou atacar, mas são mais importantes as relações do que as posições. É mais importante a capacidade de jogadores de interpretarem diferentes timings e diferentes momentos.” Vítor Matos in Descodificando o Treinador e o Jogo

Ao vermos Daniel Bragança jogar nos Sub21 como vértice recuado de um losango de meio-campo, ficamos mais uma vez a reflectir sobre aquilo que é o conceito de “Posição”. Ainda para mais condicionados pelo nº 10 que tem na camisola, perguntamos-mos… afinal qual é a “Posição” de Daniel Bragança?

Não é nada fácil responder. O comentador do jogo contra a Suíça, Blessing Lumueno, sugere que mais do que médio-defensivo, médio-centro ou médio- ofensivo, Daniel Bragança é “médio”, mostrando o quão difícil é, por vezes, catalogarmos alguns jogadores em função da sua posição.

Reportando-nos à reflexão inicial do Vítor Matos, imaginamos como seria ver o Daniel Bragança ocupando aqueles espaços à frente da linha-defensiva, se tivesse à sua frente outros jogadores que não Vitinha, Pote ou Fábio Vieira. Ou seja, consideramos que Daniel Bragança realizou a exibição que realizou, sendo mesmo considerado o “Melhor em Campo”, porque estava inserido numa rede de conexões muito própria e propensa a que ele conseguisse manifestar toda a sua qualidade. Qualidade essa sustentada num jogar muito técnico, apoiado e associativo.

Ou seja, de um ponto de vista fractal, dificilmente Bragança pudesse estar melhor contextualizado para poder exprimir toda a sua qualidade. Em todas as escalas (individual – micro – meso e macro) assistíamos a circunstâncias quase perfeitas, mas sobretudo muito semelhantes para a tal propensão de comportamentos positivos.

Imaginemos agora o mesmo jogar, a mesma estrutura, mas com outro perfil de jogadores. E com Daniel Bragança no vértice contrário. Acreditamos que, se esses jogadores se conseguissem relacionar com a mesma eficácia e eficiência deste meio-campo frente à Suíça, Daniel Bragança se pudesse apresentar na mesma com tanta ou mais qualidade. Mesmo, ocupando posicionalmente outros espaços em campo que necessitam, logicamente, de ajustes corporais e funcionais, Bragança parece ter a qualidade suficiente para apresentar o mesmo grau de eficiência e eficácia.

Resta-nos lamentar que no seu clube ainda essa rede de conexões não tenha o espaço necessário para Bragança. Seja em que posição for…

quarta-feira, 10 de março de 2021

O orgasmo e a primeira fase de construção

"Agora o orgasmo no Futebol já não é o golo, é a primeira fase de construção. Atingem o orgasmo na primeira fase, para depois, por vezes, passarem aquela pressão e esticarem para a profundidade…”
Fernando Valente in Descodificando o Treino e o Jogo, de Rémulo Jónatas

Muitos dizem que é para atrair e ganhar espaço nas costas dos médios adversários... mas será mesmo com essa intencionalidade? 

domingo, 7 de março de 2021

Crítica de Leitura - "Descodificando o Treinador e o Jogo" de Rémulo Jónatas

Depois de termos acompanhado o Rémulo Jónatas e a sua “Quarentena da Bola” através das suas partilhas diárias em vídeo, achamos importantíssimo que as mesmas tivessem sido escritas em papel.

O autor do fenómeno achou o mesmo e criou o livro “Descodificando o Treinador e o Jogo – Do Jogo Pensado ao Jogo Jogado – Um guia completo” da editora Prime Books.

Contudo, desengane-se quem achaque o livro é uma transcrição linear das conversas em directo das redes sociais. Como o próprio disse “não escrevemos como falamos”, já que “a linguagem escrita pressupõe maior objectividade e uma maior atenção às normas gramaticais”. Além disso, com tantos “episódios” seria normal não ser possível passar todo o conteúdo das conversas para um só livro.

Ao contrário dos diferentes programas em directo, em que o mesmo estava direccionado para os treinadores convidados, e a temática subjacente ao seu domínio, o livro tem uma estruturação orientada para os diferentes tópicos descritos. Ou seja, dentro dos seus 11 capítulos, existem depois diferentes sub-temas que são abordados, estando aí descritos as linhas de pensamento de cada Treinador.

Por exemplo, no Capítulo 2 “Descodificando o Treino”, vários treinadores falam sobre “Exercícios de Treino; Criação de Exercícios; A Importância do Exercício; O Treino como Espelho do Jogo e como Mola e Molde de Comportamentos”.

 

O facto de ficarmos a saber através desta “Quarentena” como pensam e operacionalizam alguns dos melhores treinadores portugueses da actualidade, por si só, já era um facto de leitura obrigatória.

O livro está muito bem estruturado, ajudando o leitor a ter uma fluidez de leitura bastante interessante e conectada sobre as diferentes temáticas.

Por ser um livro em que achamos ser, fundamentalmente, de “Treinadores para Treinadores”, é muito rico e completo, já que toca nos mais diversos pontos de interesse sobre o Jogo e sobre o Treino.

Torna-se ainda mais importante para aqueles treinadores de equipas mais humildes que muitas vezes têm de assumir quase na totalidade os diferentes papéis de uma equipa técnica, sendo por isso e ao mesmo tempo os Treinadores Principais, Treinadores-Adjuntos, Treinadores de Guarda-Redes, Scouts, etc.

No entanto, por questões de proximidade de pensamento e de admiração profissional gostaríamos de ter lido mais vezes ao longo do livro, as ideias do Vítor Matos, Jorge Maciel e Vítor Severino.

 

Mesmo assim, foram vários os pensamentos sublinhados, podendo encher uma dúzia de folhas de citações que nos irão acompanhar nos próximos tempos. Para não sermos demasiadamente maçudos, deixamos aqui três transcrições de pensamentos de três treinadores diferentes.

Sobre o Jogo.

“Agora o orgasmo no Futebol já não é o golo, é a primeira fase de construção. Atingem o orgasmo na primeira fase, para depois, por vezes, passarem aquela pressão e esticarem para a profundidade…” Fernando Valente

Sobre o Treino.

“Num exercício o importante é avaliar o grau de satisfação dos jogadores, e não do treinador. Podemos achar que criamos um excelente exercício, mas se os jogadores não estão satisfeitos a realizá-lo, se não estão a conseguir captar o que queremos daquele exercício para o jogo, então temos que perceber que aquele não é o exercício certo. Porque os jogadores são quem defendem a forma de pensar do seu treinador.” Luís Castro

Sobre a Formação.

“Quando falo de futebol de formação em Portugal relembro sempre os casos do Bernardo Silva e do João Félix. Dois jogadores com um talento extraordinário, ninguém dirá o contrário, mas que tiveram muitas dificuldades em impor-se em algumas fases do seu percurso formativo. Ou seja, suscitaram muitas dúvidas àqueles que foram responsáveis pelo seu percurso de formação. E para mim isso só pode ser visto por um prisma: aquilo que as pessoas queriam não era que aparecesse o Bernardo Silva ou o João Félix que vemos hoje. Queriam sim era ganhar jogos e campeonatos.” José Boto

 

Para além de recomendarmos a sua aquisição e leitura, julgamos que este livro está muito bem elaborado para que todos os treinadores estruturem a sua linha de pensamento sobre as temáticas abordadas.

Ou seja, sugerimos que, através dos diferentes tópicos, criem o seu próprio livro, assentando em papel as ideias que têm sobre o treinador, o treino, sobre o jogo, sobre o treino dos guarda-redes, sobre a análise, o scouting e a identificação de talento, sobre o seu desenvolvimento, sobre a formação e sobre a gestão… a nós tem-nos ajudado imenso.

 

Assim sendo, resta-nos agradecer ao Rémulo e à sua “Quarentena da Bola” por este maravilhoso projecto transcrito para papel. Bem-haja.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Simão Sabrosa e a questão de quem joga em função de quem

"Antes os laterais jogavam em função dos extremos.
Agora são os extremos que jogam em função dos laterais." Simão Sabrosa

Será uma simples moda!? Será uma evolução estratégica dos jogares!? Será uma necessidade das alterações funcionais destes jogadores!?

Ou estará Simão Sabrosa errado na sua visão!?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

A legitimidade de um golo: Marché - Corona - Taremi

Pontapé longo de Marchesín. Fantasia de Corona. Finalização de Taremi.

Assim se fez o segundo golo do FC Porto frente ao SC Braga. Uma simplicidade de processos aparente que não é assim tão básica quanto possa parecer. Senão, vejamos…

Marchesín reconhece a superioridade numérica dos jogadores do Porto na extrema-esquerda, em 3v2 ou 2v1, dependendo da perspectiva.

Luiz Diaz disputa o lance, permitindo a Corona ficar em situação de antecipação para eventual ressalto.

Corona em situação de 1v1 ofensivo é propenso a ter sucesso.

Agressividade táctica no ataque à baliza do Braga por parte de muitos jogadores do Porto.

Taremi reconhece o melhor espaço para poder ficar em óptima situação de finalização.

Por vezes temos a tendência de sobrevalorizar golos consequentes de 30 passes, mas a verdade é que este golo do Porto é tão legítimo quanto esses.   




sábado, 30 de janeiro de 2021

O que "nasceu" primeiro, Firmino ou o jogar do Liverpool?

Firmino e o Liverpool Football Club confundem-se.
Não sabemos se Firmino se adaptou ao jogar do Liverpool, se foi o Liverpool que se adaptou ao jogar de Firmino. Mas como aqui defendemos que as coisas estão relacionadas, acreditamos que o Talento de Firmino é potenciado pelo Jogar do Liverpool, sabendo o Liverpool da Talento Específico que Firmino tem. 

Mesmo sem tocar na bola, é à sua volta que este golo acontece. Um golo que tem tanto de Liverpool como de Firmino.

Paciência na construção.

Atrair num corredor para libertar no outro.

Sobreocupação do sector intermédio com o recuo do avançado.

Atrair para conquistar a profundidade.

Metrica Sports


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Um dos golos mais "simples" do época - o primeiro do Liverpool contra o United

Vimos no jogo entre o Manchester United e o Liverpool Football Club a um dos golos tacticamente mais bonitos desta época – na nossa opinião.

A simplicidade com que o Liverpool conquistou espaços, com e sem bola, através da sua dinâmica de recuos e projecções de jogadores, fez com que, com apenas 4 ligações em progressão constante, inaugurasse o marcador no jogo da Taça.

Reconhecendo a dificuldade do ManU em defender o corredor central na sua 1ª linha de pressão, Fabinho encontrou em Wijnaldum o seu “construtor de jogo”, que com o tempo e espaço para o pensar, escolheu Firmino. 

Este, mostra-nos como o conceito das “Posições” está esgotado, dado o papel de médio de ligação no jogo do Liverpool. Com muita qualidade, fez mais uma assistência para Salah.

O egípcio, com os pés trocados – se é que nos percebem, teve um timing de ataque à profundidade fantástico e com a sua habilidade, recebeu e rematou de forma (aparentemente) fácil para golo.

Contudo, os nossos olhos não se podem focar só aos jogadores com bola. O papel de Thiago em desmontar o primeiro bloqueio, as projecções dos dois laterais, e até o arrastar de Milner a criar espaço para o passe de Firmino, são de uma simplicidade brutal.




Tudo belo. Haja “corpo” para executar este jogar “cerebral”.

Metrica Sports
The Emirates FA Cup

sábado, 16 de janeiro de 2021

O que é "decidir mal"? - Antony e a sua decisão no primeiro golo do Ajax frente ao Twente

O que é decidir mal?

Muitos de nós pensaríamos que Antony deveria ter passado a bola para Klaassen, completamente desmarcado já dentro da grande-área adversária. Contudo, o extremo brasileiro opta pela maior aleatoriedade do cruzamento… Que dá golo!!!

Será que os jogadores ao verem o jogo com as suas particularidades individuais não vêem muitas vezes um jogo diferente do seu treinador, muitas vezes para melhor?

Terá Antony tomado uma “má” decisão?





quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Uma Ode ao Taarabt - ou o que é uma reflexão sobre Criatividade

O ano de 2020 está a ser um ano um ano bem difícil que por razões óbvias, já todos o sabemos.

Paralelamente, também o está a ser no que diz respeito à Criatividade. No mesmo ano perdemos Sir Ken Robinson, expoente máximo da investigação e reflexão sobre Criatividade; e Diego Maradona, um dos jogadores mais Criativos da História do Futebol, senão aquele que melhor manifestou esta capacidade.

Por coincidência, já há muitos anos que não era exigida à sociedade que fosse tão criativa como nos dias de hoje. Seja por uma questão de tentar encontrar formas de se divertir, de trabalhar ou até de sobreviver em contexto de tamanhos constrangimentos e confinamentos.

Também no Futebol, e fruto da evolução (?) do Jogo, urge a necessidade do jogador e da equipa serem criativos e imprevisíveis perante o adversário, como forma de ultrapassar a crescente preponderância da dimensão estratégica que o Futebol de hoje acarreta.

Ao vermos Futebol português, existe um jogador que nos últimos anos nos tem cativado a tentar contrariar essa tendência mais “fechada” que o jogo tem tido: Falamos de Adel Taarabt.

Na mesma altura que choramos a morte de Maradona e nos lamentamos de uma forma gritante da ausência de Criatividade no Futebol actual, assistimos a uma crucificação daquele que poderá ser o jogador mais Criativo que passou por Portugal nos últimos anos.

Quem ataca o marroquino justifica-o na maior parte das vezes com o reducionismo da estatística das “bolas perdidas”, desprezando a premissa preconizada por Vítor Frade de que a estatística é muitas vezes como o biquíni, mostrando muita coisa mas tapando o essencial.

Outro “problema” que Taarabt parece manifestar prende-se com o facto de ele não ser um jogador que goste muito daquilo a que muito chamam das “amarras tácticas” do jogo. Ao contrário do que muitos treinadores (?) querem para a sua equipa, Taarabt nem sempre respeita uma cobertura defensiva, nem sempre preenche o espaço do duplo-pivot de uma forma mais eficaz e nem sempre toma uma opção demasiado segura. Ou seja, Taarabt mostra muitas vezes dificuldade em respeitar os sub-princípios dos sub-princípios que muitos treinadores procuram ver implementados nas suas equipas.

Treinadores esses que enquanto choram pelo desaparecimento do “Futebol de Rua”, são muitas vezes os primeiros a castrar ou a condenar os jogadores que trazem aquilo que melhor as ruas lhes deram para o Estádio.





Com todo o devido respeito, por aqui seremos sempre a favor dos Taarabts desta vida. Enquanto podermos, escolheremos sempre a Criatividade, a Imprevisibilidade e a Fantasia…

 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Quando fazes merd# a dobrar - Payet e o golo sofrido do Marseille frente ao Reims

Uma das qualidades que apreciamos mais no jogador de Futebol é a sua capacidade em lidar com a adversidade. Seja numa escala mais Macro, como por exemplo o falecimento de um ente querido, ou numa escala mais Micro, como uma perda de bola num drible.


Foi precisamente isso que não aconteceu com Payet, no empate caseiro do Marselha frente ao Reims.



- Perda de bola em situação arriscada.

- Ausência de cobertura defensiva em zona perigosa.

Ou seja, não soube lidar com a primeira adversidade, onde teve uma reacção à perda bastante desconcentrada e tacticamente fraca perante a circunstância em causa.

Dois erros crassos numa mesma jogada, e golo inaugural para o Reims.


🎥 Metrica Sports

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

A displicência defensiva dos médios do Benfica - os exemplos de Glasgow e de Liège

 


À atenção do Arsenal!

Notámos em algo comum a dois golos sofridos pelo Benfica na presente edição da Liga Europa.

Parece óbvia a diferença entre o Benfica de Jesus da sua primeira passagem, e este, que assistimos no seu regresso.

Seja em que momento do jogo for, nesta segunda passagem não vemos um Benfica tão forte tacticamente, e isso, por mais que muitos o queiram fazer parecer, deve ser visto como um Todo.

Reportamo-nos a dois golos sofridos na Liga Europa. Ambos fora, e ambos nos empates frente ao Rangers e ao Standard de Liége. Ambos em consequência de cruzamentos para a área. Ambos com responsabilidades dos médios da equipa.

Muitos comentadores e adeptos têm sido bastante críticos para com os defesas do Benfica. Contudo, e como pretendemos mostrar, quando se sofrem golos, a análise têm que ir muito para além de uma responsabilização individual ou sectorial sobre os defesas.

Neste golo sofrido em Glasgow, vemos como Gabriel tem uma atitude completamente displicente aquilo que está acontecer a poucos metros de si. Gabriel mostra-se muito pouco determinado em colaborar com os seus colegas, permitindo que na recarga, Scott Arfield inaugure o marcador.

Já no golo sofrido em Liége, é Taarabt quem parece não promover a necessária superioridade defensiva dentro da grande área, permitindo a Raskin aproximar-se da linha defensiva e cabecear com sucesso para o primeiro golo do jogo.



Com estes vídeos quisemos mostrar que os golos sofridos de uma equipa vão muito para além dos comportamentos da sua linha defensiva. Essa visão mais cartesiana do Futebol, leva a que não se veja o Jogo como um Fenómeno Caótico, Sistémico e Complexo que ele é…  

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Análise ao início de uma goleada - o primeiro do Benfica contra o Vilafranquense

 

Com o objectivo de melhorar a nossa competência através da análise de vídeo, tendo em conta que só o temos feito em foto, quisemos aventurar-nos com o fantástico software Metrica Play.

Nesse sentido, quisemos explorar um golo que nos permitisse reflectir sobre diferentes questões de análise, escolhendo o primeiro golo da vitória do Benfica frente ao Vilafranquense para a Taça de Portugal, tendo visto os seguintes comportamentos: 

  • O Gabriel tem tempo e espaço para fazer o que quer.
  • Os três médios do Vilafranquense estão um pouco perdidos quanto às necessidades de pressão, contenção e coberturas.
  • A abordagem do defesa-central-esquerdo do Vilafranquense pode não ter sido a melhor tendo em conta o ataque à profundidade por parte do Gonçalo Ramos.
  • Embora não esteja descrito no vídeo, chamamos ainda a atenção para o facto da linha-defensiva do Vilafranquense poder estar um pouco subida demais, tendo em conta que o Gabriel está com a “bola descoberta”.


Mais do que deixar uma crítica barata e destrutiva à organização defensiva do Vilafranquense, esperamos que se o vídeo lá chegar, seja mais um elemento para melhorar o trabalho do mister João Tralhão.

domingo, 8 de novembro de 2020

Manchester United e a sua (des)organização defensiva contra o Basaksehir

 

Sim, o Manchester United tornou a ter uma boa vitória, desta vez em casa do Everton, mas isso não apaga a sua falta de qualidade defensiva que tem mostrado ao longo desta época.

Na quarta-feira foi mau de mais. Foram erros muito explícitos ao nível da organização defensiva, aqueles que o Manchester United manifestou durante a primeira-parte do seu jogo contra o Basaksehir.

Nós trazemos três, mas poderiam ter sido mais.

O que aqui partilhamos em primeiro lugar é aquele que, de tão ridículo, já se tornou viral. Ainda cedo no encontro, Demba Ba é escandalosamente esquecido pelos 10 jogadores de campo do Man United, ficando assim, isolado perante Dean Henderson após passe de Edin Visca.

O segundo lance que aqui trazemos representa um dos maiores problemas da organização defensiva da equipa de Solskjaer. A falta da eficácia das coberturas defensivas. Nesta imagem, vemos que Wan-Bissaka deixa a sua posição mais interior para sair à pressão de Visca que acaba de receber a bola. Com esta "ganância", vemos o imenso espaço que se cria entre Wan-Bissaka e Baily, prontamente aproveitado pelo Basaksehir.

No nosso entender, o lateral direito deveria ter mantido melhor a sua posição, mas ao não fazê-lo a equipa, funcionando em interacção, deveria ter feito o devido ajuste posicional e deveria ter encurtado esta distância para com Wan-Bissaka.

Já o terceiro lance é relativo ao segundo golo sofrido pelo United. Após perda de bola numa recepção falhada de Mata, a equipa teve uma péssima reacção à sua perda.

Os médios demoraram muito a encurtar o espaço junto dos centrais, tal como o defesa-esquerdo Luke Shaw, que no momento de perda estava posicionado de uma forma extraordinariamente ofensiva, bastante projectado no seu corredor.

Imagens Eleven Sports

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Aprender com uma goleada sofrida - uma crítica construtiva à organização defensiva do Venlo


Pouco mais pode o VVV Venlo fazer do que Aprender com a pesada derrota frente ao Ajax. Mais do que a superioridade do seu adversário, o VVV Venlo sofreu muitos golos por culpa própria, apresentando-se de uma forma quase que amadora na dimensão Táctica do jogo.

Com esta reflexão, que gostaríamos de fazer chegar aos responsáveis do clube holandês sob forma de crítica construtiva, expomos as fragilidades do momento defensivo do 14º classificado da Eredivisie.

É verdade que todos temos direito a “um dia mau no trabalho”. O empate recente em Alkmaar prova que a equipa tem mais competência do que aquela que mostrou nesta jornada. Mas para que novas goleadas históricas não acontecem, deixamos em seguida algumas dorrecções que terão de ser manifestadas pela equipa.

 

Desconcentrações individuais que contra equipas de topo europeu, não podem acontecer. No caso, é o extremo direito que se deixa ultrapassar pela movimentação de Tagliafico.

 

Referências demasiado individuais que não são respeitadas por todos. Ou seja, a equipa chega a estar (des)organizada em 1x7x2x1.

 

O Venlo chega a ter 10 jogadores dentro da sua grande área. Contudo, de nada vale tamanha quantidade se não houver agressividade e capacidade suficiente para desarmar o adversário.

 

Quando a bola entra nos corredores, muitas vezes vemos que não há nem sequer um esboço de uma cobertura defensiva ao lateral em acção.

 

Assistimos constantemente a uma linha defensiva muito baixa e numerosa, deixando sempre muito espaço à sua frente.

 

O Venlo foi uma equipa sempre muito perdida nas noções de ocupação de espaço, parecendo não saber aquilo que priorizar: pressão ou contenção? zona ou indivíduo?

 

Erros “infantis” a uma escala mais individual.  No último golo, o defesa desprezou completamente a posição da bola, fixando-se exclusivamente na movimentação do seu adversário.

Ao olharmos para as imagens concluímos que foi um jogo mau de mais para uma equipa da principal divisão holandesa. Acidentes acontecem, e para o bem dos elementos do VVV Venlo, que este jogo tenha sido apenas isso…

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Quando a Bola pode ser uma atração fatal - o golo sofrido do Portimonense

Qual a principal referência para um Defesa quando o lance se desenrola na zona do meio-campo?

Para nós deverá ser o Espaço.

Neste caso, Willyan Rocha, defesa-central do lado direito do Portimonense, expõe completamente a organização defensiva da sua equipa ao sair do seu Espaço, contribuindo dessa forma para justificar a nossa ideia sobre quais as referências defensivas devemos privilegiar nesta zona do campo.


Willyan Rocha segundos antes de se atrair pela bola.


Ao deslocar-se para disputar o duelo aéreo, duelo esse que já estava devidamente acautelado pelo lateral-direito, Willyan Rocha, deixa a linha defensiva em situação de inferioridade numérica. Isto porque se deixou atrair, fundamentalmente, pela bola.


Aqui vemos Willyan Rocha bastante fora da sua posição.


O facto de ambos os jogadores da zona do duplo-pivot estarem um pouco adiantados também não ajudou para corrigir este erro de escala mais individual, que segundos mais tarde originou o golo que deu a vitória ao Gil Vicente…

Imagens SportTV






quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Quando sair a jogar dá golo... do adversário!

Somos apreciadores de um Jogar associativo, em que os jogadores privilegiam a posse de bola, seja qual for o momento de jogo.

Nessa lógica, todos os jogadores estão inseridos nessa Intencionalidade, incluindo-se por isso, os guarda-redes.

Ao vermos alguns jogos e resumos durante o passado fim-de-semana assistimos a um padrão comportamental transversal em 4  campeonatos dos chamados Big Five (5): perda de bola na primeira fase de construção em consequência de um passe “falhado”, envolvendo sempre o guarda-redes.

 

O guarda-redes da Real Sociedad falha o seu passe entregando a bola a Vinícius Júnior, desencadeando um lance bastante perigoso para a sua equipa.


Larsonneur, guarda-redes do interessante Brest optou por um passe de bastante risco, para o seu colega em pressão. Na sequência do lance, o Brest acabou por sofrer o segundo golo na partida.


Pressionado, Jonas Hector tenta devolver a bola ao seu guarda-redes. Esta fica curta e é aproveitada por Kramaric, inaugurando o marcador para o Hoffenheim.



Kepa demora na decisão a tomar, deixando aproximar bastante Sadio Mane que lhe intercepta o passe para Jorginho, aproveitando em seguida para aumentar a vantagem do Liverpool.


Importa esclarecer que não queremos de todo condenar os guarda-redes. Utilizamos esta reflexão para nós questionar-mos acerca das palavras de Jorge Maciel quando nós diz que  “Feio é diferente de Fraco.”

Ou seja, na problemática em questão verificamos que existe a sobreposição do “Jogar Bonito” sobre o “Jogar Bem”. Considerando aqui que o “Jogar Bonito” numa primeira fase de construção é evitar a aleatoriedade do pontapé longo para a frente, sem grandes referências dinâmicas subjacentes a esse comportamento. Pois até no “pontapé para a frente” pode-se “Jogar Bem”, havendo uma Intencionalidade para isso, seja nas diagonais dos colegas do cabeceador, seja na preparação dos médios para a segunda bola, etc.

Por isso, longe de nós condenarmos este comportamento das equipas que durante o passado fim-de-semana não correram bem. Alertamos isso sim, é para a necessidade de quando se opta por determinada estratégia, esta deve sempre ser coerente, não-linear, mas sobretudo adaptativa às exigências do jogo. Caso contrário, vê-se anulada pela estratégia do adversário, que foi o que aconteceu em bastantes jogos por essa Europa fora.

domingo, 20 de setembro de 2020

A(in)utilidade do passe Central-Central

Passou-se antontem várias vezes no Vitória SC vs Belenenses SAD. Mas infelizmente, não é caso único.

Com tantas evoluções que os Jogares vão acolhendo consoante a procura da superioridade perante o adversário, lamentamos que determinados comportamentos continuem a vigorar no alto rendimento de uma forma tão presente.

Não temos acesso estatístico ao jogo de ontem, mas a quantidade de passes entre os centrais do Vitória com certeza que atingiu os dois dígitos muito rapidamente.




Contudo, não foi tanto a quantidade que mais nos intrigou mas sim a "qualidade" dos mesmos. E colocamos "qualidade" entre aspas, pois não falamos propriamente na execução desses passes mas mais na necessidade justificativa dos mesmos. Sobretudo porque reconhecemos bastante qualidade construtiva, principalmente, a Abdul Mumin. E vermos os defesas centrais com tanto espaço para jogar devido ao posicionamento recuado dos avançados do Belenenses SAD a optarem tantas vezes pelo passe central-central, deixa-nos um pouco aborrecidos. E quando estes são feitos a pouca intensidade, sem grande propósito de desorganizar o adversário, pior.

Esperamos sinceramente que as belas verticalizações de Mumin, tanto em progressão como em passe, sejam mais utilizadas no futuro. Do Mumin e dos outros todos defesas-centrais que não passam para o lado "por passar".

Imagens SportTV