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quinta-feira, 1 de abril de 2021

Daniel Bragança e mais uma reflexão sobre o conceito de Posição

Foto: Observador
“As posições são importantes para potenciarem as relações que queremos criar no nosso jogo, seja a defender ou atacar, mas são mais importantes as relações do que as posições. É mais importante a capacidade de jogadores de interpretarem diferentes timings e diferentes momentos.” Vítor Matos in Descodificando o Treinador e o Jogo

Ao vermos Daniel Bragança jogar nos Sub21 como vértice recuado de um losango de meio-campo, ficamos mais uma vez a reflectir sobre aquilo que é o conceito de “Posição”. Ainda para mais condicionados pelo nº 10 que tem na camisola, perguntamos-mos… afinal qual é a “Posição” de Daniel Bragança?

Não é nada fácil responder. O comentador do jogo contra a Suíça, Blessing Lumueno, sugere que mais do que médio-defensivo, médio-centro ou médio- ofensivo, Daniel Bragança é “médio”, mostrando o quão difícil é, por vezes, catalogarmos alguns jogadores em função da sua posição.

Reportando-nos à reflexão inicial do Vítor Matos, imaginamos como seria ver o Daniel Bragança ocupando aqueles espaços à frente da linha-defensiva, se tivesse à sua frente outros jogadores que não Vitinha, Pote ou Fábio Vieira. Ou seja, consideramos que Daniel Bragança realizou a exibição que realizou, sendo mesmo considerado o “Melhor em Campo”, porque estava inserido numa rede de conexões muito própria e propensa a que ele conseguisse manifestar toda a sua qualidade. Qualidade essa sustentada num jogar muito técnico, apoiado e associativo.

Ou seja, de um ponto de vista fractal, dificilmente Bragança pudesse estar melhor contextualizado para poder exprimir toda a sua qualidade. Em todas as escalas (individual – micro – meso e macro) assistíamos a circunstâncias quase perfeitas, mas sobretudo muito semelhantes para a tal propensão de comportamentos positivos.

Imaginemos agora o mesmo jogar, a mesma estrutura, mas com outro perfil de jogadores. E com Daniel Bragança no vértice contrário. Acreditamos que, se esses jogadores se conseguissem relacionar com a mesma eficácia e eficiência deste meio-campo frente à Suíça, Daniel Bragança se pudesse apresentar na mesma com tanta ou mais qualidade. Mesmo, ocupando posicionalmente outros espaços em campo que necessitam, logicamente, de ajustes corporais e funcionais, Bragança parece ter a qualidade suficiente para apresentar o mesmo grau de eficiência e eficácia.

Resta-nos lamentar que no seu clube ainda essa rede de conexões não tenha o espaço necessário para Bragança. Seja em que posição for…

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Quando a Bola pode ser uma atração fatal - o golo sofrido do Portimonense

Qual a principal referência para um Defesa quando o lance se desenrola na zona do meio-campo?

Para nós deverá ser o Espaço.

Neste caso, Willyan Rocha, defesa-central do lado direito do Portimonense, expõe completamente a organização defensiva da sua equipa ao sair do seu Espaço, contribuindo dessa forma para justificar a nossa ideia sobre quais as referências defensivas devemos privilegiar nesta zona do campo.


Willyan Rocha segundos antes de se atrair pela bola.


Ao deslocar-se para disputar o duelo aéreo, duelo esse que já estava devidamente acautelado pelo lateral-direito, Willyan Rocha, deixa a linha defensiva em situação de inferioridade numérica. Isto porque se deixou atrair, fundamentalmente, pela bola.


Aqui vemos Willyan Rocha bastante fora da sua posição.


O facto de ambos os jogadores da zona do duplo-pivot estarem um pouco adiantados também não ajudou para corrigir este erro de escala mais individual, que segundos mais tarde originou o golo que deu a vitória ao Gil Vicente…

Imagens SportTV






sábado, 13 de junho de 2020

O Conceito das Posições no Futebol - o caso de Matthijs de Ligt


Acreditamos que uma das maiores transformações que o Futebol está a tomar, sem por vezes se estar a aperceber muito disso, está relacionada com o conceito das “Posições”. E isso acontece se olharmos tanto para uma escala mais individual ou outra mais colectiva…


Peguemos então numa escala mais Micro, e no caso de Matthijs de Ligt. Gostaríamos de falar sobre este prodígio holandês de apenas 20 anos mas que já é considerado como um dos melhores defesas-centrais da Europa, não fosse ele adquirido pela Juventus pela modica quantia de 85M€.

Durante este período de confinamento, aproveitámos para colocar algumas leituras e vistorias em dia, tendo-nos chamada a atenção uma entrevista de De Ligt no site da Juventus, assim como o jogo do título do Ajax em Sub15, aquando da geração de ’99 nesse escalão. O que ambas têm em comum? O facto de falarem/mostrarem que temos de reflectir mais sobre aquilo que é a “Posição” do jogador em campo.

A partir das palavras publicadas no site da Juventus, o mesmo admite que até aos 15 anos jogou como médio-ofensivo, jogando sempre no sector intermédio, providenciando muitas assistências e marcando muitos golos.

https://www.juvefc.com/de-ligt-i-used-to-play-as-an-attacking-midfielder/

Já no jogo do título de iniciados de 2014 contra o Feyenoord, De  Ligt começa o jogo na posição “6” e acaba na posição “9”. Isto numa equipa como o Ajax, que a cada ano é sempre das melhores do Mundo a cada escalão jovem!



Com estas duas “curiosidades”, acabamos por ficar com a cabeça a fervilhar, cheia de perguntas que só a própria estrutura técnica do clube poderá responder!

  • Até que ponto a rotatividade de “posições” promovida nos escalões mais novos do clube, ajuda a uma melhor adaptação a novas “posições” no futuro?
  • Porque motivo alteraram o seu posicionamento no escalão de Sub16 e não mais cedo ou mais tarde?
  • De Ligt foi colocado a médio de forma propositada para o desenvolvimento de outras capacidades ou foi por reconhecerem nele um bom médio?
  • Como deverá ser o processo de treino para facilitar uma maior adaptabilidade dos jogadores a diferentes “posições”?
  • De Ligt terá feito algum tipo de trabalho mais específico relacionado com a posição de defesa-central quando lhe foi pedida de uma forma mais regular essa “posição”?
  • Até que ponto poderá ser rico para os jovens jogadores estarem disponíveis para jogar em “posições” que não gostam?


Casos de sucesso como o de De Ligt, criam em nós, uma necessidade muito grande de pensar mais e melhor sobre aquilo que é a “Posição” em campo. Por culpa própria mas principalmente dos seus treinadores, muitos jogadores percorrem o caminho da experimentação e vivenciação de diferentes posições. Outros o caminho da especialização. Felizmente o Futebol é suficientemente democrático para mostrar que para se chegar ao topo, vários são os caminhos válidos…