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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Um dos golos mais "simples" do época - o primeiro do Liverpool contra o United

Vimos no jogo entre o Manchester United e o Liverpool Football Club a um dos golos tacticamente mais bonitos desta época – na nossa opinião.

A simplicidade com que o Liverpool conquistou espaços, com e sem bola, através da sua dinâmica de recuos e projecções de jogadores, fez com que, com apenas 4 ligações em progressão constante, inaugurasse o marcador no jogo da Taça.

Reconhecendo a dificuldade do ManU em defender o corredor central na sua 1ª linha de pressão, Fabinho encontrou em Wijnaldum o seu “construtor de jogo”, que com o tempo e espaço para o pensar, escolheu Firmino. 

Este, mostra-nos como o conceito das “Posições” está esgotado, dado o papel de médio de ligação no jogo do Liverpool. Com muita qualidade, fez mais uma assistência para Salah.

O egípcio, com os pés trocados – se é que nos percebem, teve um timing de ataque à profundidade fantástico e com a sua habilidade, recebeu e rematou de forma (aparentemente) fácil para golo.

Contudo, os nossos olhos não se podem focar só aos jogadores com bola. O papel de Thiago em desmontar o primeiro bloqueio, as projecções dos dois laterais, e até o arrastar de Milner a criar espaço para o passe de Firmino, são de uma simplicidade brutal.




Tudo belo. Haja “corpo” para executar este jogar “cerebral”.

Metrica Sports
The Emirates FA Cup

domingo, 8 de novembro de 2020

Manchester United e a sua (des)organização defensiva contra o Basaksehir

 

Sim, o Manchester United tornou a ter uma boa vitória, desta vez em casa do Everton, mas isso não apaga a sua falta de qualidade defensiva que tem mostrado ao longo desta época.

Na quarta-feira foi mau de mais. Foram erros muito explícitos ao nível da organização defensiva, aqueles que o Manchester United manifestou durante a primeira-parte do seu jogo contra o Basaksehir.

Nós trazemos três, mas poderiam ter sido mais.

O que aqui partilhamos em primeiro lugar é aquele que, de tão ridículo, já se tornou viral. Ainda cedo no encontro, Demba Ba é escandalosamente esquecido pelos 10 jogadores de campo do Man United, ficando assim, isolado perante Dean Henderson após passe de Edin Visca.

O segundo lance que aqui trazemos representa um dos maiores problemas da organização defensiva da equipa de Solskjaer. A falta da eficácia das coberturas defensivas. Nesta imagem, vemos que Wan-Bissaka deixa a sua posição mais interior para sair à pressão de Visca que acaba de receber a bola. Com esta "ganância", vemos o imenso espaço que se cria entre Wan-Bissaka e Baily, prontamente aproveitado pelo Basaksehir.

No nosso entender, o lateral direito deveria ter mantido melhor a sua posição, mas ao não fazê-lo a equipa, funcionando em interacção, deveria ter feito o devido ajuste posicional e deveria ter encurtado esta distância para com Wan-Bissaka.

Já o terceiro lance é relativo ao segundo golo sofrido pelo United. Após perda de bola numa recepção falhada de Mata, a equipa teve uma péssima reacção à sua perda.

Os médios demoraram muito a encurtar o espaço junto dos centrais, tal como o defesa-esquerdo Luke Shaw, que no momento de perda estava posicionado de uma forma extraordinariamente ofensiva, bastante projectado no seu corredor.

Imagens Eleven Sports

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Quando a inferioridade numérica pode evitar golos - O primeiro do Sevilla contra o Man Utd

Novo jogo da Liga Europa. Novo jogo contra o Sevilla e a mesma pergunta: Será que a inferioridade numérica é sempre de evitar?

Parece que no Manchester United não fizeram bem o seu trabalho de casa. O primeiro golo sofrido pela equipa contra o Sevilla é muito parecido com o golo sofrido pela Roma contra os comandados de Lopetegui. Ora vejamos...

O texto em relação à ultima referência sobre este caso até se pode manter, substituindo apenas o nome dos intervenientes.

Lindelof privilegiou a marcação a Ocampos, acompanhando o seu movimento para fora, não acautelando o espaço interior da melhor maneira. Como Maguire também estava muito preso a En-Nesyri não houve o devido preenchimento da zona frontal da baliza que foi devidamente aproveitado por Reguilón.

Neste caso, Fred até esboça uma cobertura defensiva que no entanto não passa disso mesmo.

A nossa ideia continua a ser a mesma. E Lopetegui agradece…

“Respondendo à pergunta inicial, consideramos que uma inferioridade numérica no corredor direito do Manchester Uited, era uma situação mais benéfica do que a procura pela igualdade numérica no acompanhamento a Ocampos.

Contudo, a excepção é precisamente a procura da igualdade numérica – ou até mesmo a superioridade, por isso devemos ser mesmo nós a estar errados...”

 

Imagens Sport TV

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O 2x0 do Man United contra o West Ham - há faltas boas?

Com um jogar mais colectivo e menos vertical, o United venceu o West Ham por 3x0 na primeira jornada da Premiel League – versão 2017/2018.

Com dinâmicas mais móveis na sua organização ofensiva, colocando as suas linhas mais subidas e mais preparadas para uma transição defensiva em zonas adiantadas, o United deixou uma bela imagem daquilo que poderá ser o seu jogar ao longo da época. Esperaremos para ver se se mantém esta proposta, em especial contra equipas mais “perigosas”.

Contudo, essa reflexão sobre o seu modelo de jogo ficará para quando tiverem sido disputados mais jogos na Premier League.

O que aqui trazemos para reflexão, é o lance do segundo golo do Manchester United. Decorreu na segunda-parte, com o United já menos agressivo e pressionante mas mais expectante, que o irrequieto Rashford com a sua velocidade ganhou uma falta a Pablo Zabaleta.


O defesa argentino, experiente, antecipando o perigo que Rashford poderia provocar já no seu terço defensivo de campo, recorreu à falta para parar a jogada. Embora tivesse sido, a nosso ver, tecnicamente exemplar na primeira fase da abordagem ao lance, com um posicionamento corporal e com os apoios colocados devidamente, ao ver que não conseguia fazer mais contenção, atacou o seu adversário de uma forma mais displicente que transmitiu a sensação de que o seu objectivo foi mesmo a falta.

Após a infracção, o comentador SPORT TV Acácio Santos – canal que seguíamos para ver o jogo, classificou este lance como sendo um bom lance para Zabaleta, mesmo lhe tendo custado o cartão amarelo. O comentador refere que Zabaleta fez o que devia ter feito, pois caso Rashford passasse por ele poderia ter causado muito perigo.

No seguimento das palavras de Acácio Santos nós questionámo-nos: “e se esta falta dá golo?”

E aconteceu. Na cobrança do livre indirecto, Romelu Lukaku fez o dois-zero, com tarefa bastante facilitada por parte das marcações do West Ham, que deixaram que o adversário directo do avançado belga fosse o baixote Masuaku – lateral esquerdo.

Por esta e por outras razões, temos muitas dúvidas sobre a importância das faltas. Em especial quando já são cometidas em zonas do campo que permitam ao adversário cobrar livres directos ou indirectos para a grande-área. A nosso ver, a utilização deste recurso é ainda mais perigosa quando o adversário se apresenta muito forte nos esquemas tácticos e/ou a nossa equipa apresenta algumas debilidades nos mesmos. 


Além disso e pegando nas palavras de Acácio Santos deixamos a nossa reflexão final. Não queremos estar a complicar o Futebol, mas para nós as “verdades absolutas” só são válidas noutras ciências. Como nos dizia o Professor José Guilherme Oliveira nas suas aulas de Futebol na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto quando lhe fazíamos uma questão: “Depende”… 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ajax vs Manchester United - reflexões e imagens de uma final poética

Há muito tempo que não estávamos tão entusiasmados com a visualização de um jogo. Depositámos bastantes expectativas no embate entre dois Jogares bastante diferentes, quase opostos face à sua abordagem aos diferentes momentos do jogo.

O Manchester de Mourinho não nos surpreendeu, com a sua organização calculista, algo retrógrada, de elevada imposição táctico-física. Já ao Ajax esperávamos mais, dada a dinâmica ofensiva e total que apresentou em outros contextos.

Ambas as partes da partida tiveram bastante semelhança. Por um lado vimos um Ajax a tentar construir sempre pelos seus defesas-centrais em progressão, de preferência (e convite do United) por Sánchez, condicionados por um lado pela estratégia defensiva de Mourinho, por outro pela própria obsessão a determinados princípios propostos por Bosz.

A pressão passiva de Rashford, que normalmente tapava a linha de passe central-central, convidava à progressão em posse de um dos mesmos que inconscientemente ou não entravam na sua zona de desconforto, a zona dos médios do United.



Com este comportamento o Manchester procurava recuperar a bola com um dos centrais desposicionados permitindo a exploração do espaço pelo Rashford.




Outra dificuldade do Ajax foi a falta de enquadramento individual dos seus médios mais criativos, que muitas vezes não se conseguiram posicionar de perfil para o Jogo, fruto de marcações mais agressivas por parte dos seus defensores directos. Assim, das poucas vezes que as bolas lhes chegavam eram obrigados a voltar a jogar para trás por não estarem corporalmente bem posicionados.



Contudo, a maior dificuldade do jogo ofensivo do Ajax passou por um erro próprio. Bosz que nos desculpe a prepotência mas o jogo fartou-se de mostrar que Schone deveria ter tido outro papel no processo ofensivo do Ajax. O dinamarquês foi excessivamente posicional contribuindo muito pouco para a ligação centrais-meio-campo (contam-se pelos dedos os passes verticais que fez). Alguém que ocupe um espaço tão importante terá de ter outra preponderância para a fluidez de jogo ofensivo da sua equipa.

Ou então, Bosz deveria ter criado outras dinâmicas para não precisar deste jogador. É verdade que o seu posicionamento se mostrou importante para o equilíbrio defensivo da equipa, mantendo-se muito fixo e em constante alerta às subidas dos centrais. Mas também é verdade que o jogo interior do Ajax andou sempre refém de um terceiro elemento.




Além de Schone, também Younes precisa de ser referenciado. O facto deste jogador estar demasiadamente fixo no lado esquerdo do ataque do Ajax também ajudou a anular o dinâmica ofensiva da sua equipa. Além do que, quando a bola lhe chegava ele encontrava-se muitas vezes condicionado a tomadas de decisão individuais, descoberto de coberturas ofensivas e obrigado a partir para situações de 1v1



Não queremos com isto retirar mérito a Mourinho. Acreditamos que mais de dois terços das decisões do Ajax foram escolhidas pelos jogadores do Manchester. Os espaços, maiores ou menores, foram deixados ou tapados com um propósito idealizado por Mourinho. O lado mais estratégico da Táctica foi bastante exacerbado pelas ideias do português e com isso o United foi bastante mais eficaz a defender do que o Ajax a atacar.




As marcações individuais do United foram bastante assertivas. Por mais que não se goste. E o mais interessante desse comportamento foi observar de que maneira é que esse método defensivo mais individual funciona em termos colectivos. Ou seja, é absolutamente fascinante do ponto de vista estratégico vermos um conjunto de jogadores comportarem-se segundo uma ordem quando a base dessa ordem está balizada por um princípio individual.

Muita qualidade tem de ter esse método, quando o Manchester apenas concede um remate à sua baliza na primeira parte. E não é por acaso que esse único remate à baliza de Romero tenha sido concedido quando os dois extremos do Ajax se cruzaram no corredor esquerdo.



Acabou por ser um Ajax pouco flexível, muito ligado a uma criatividade padronizada a outro tipo de organizações defensivas – será que isso se poderá chamar criatividade? – quase que conectado de forma mecânica ao seu próprio estilo.


Já o United manteve-se fiel a si próprio e ao que Mourinho pediu aos seus jogadores. A disciplina em forma de um Jogar. Sem poesia mas com a Taça.