Mostrar mensagens com a etiqueta Criatividade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Criatividade. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 24 de junho de 2025

A Criatividade para Rafel Pol

Deve haver poucos treinadores no mundo que não queiram os seus jogadores criativos.

Nas (re)leituras que andamos a fazer do livro "A Preparação ?Física? no Futebol" de Rafel Pol, adjunto de Luís Enrique, sentimos a necessidade de partilhar a seguinte "definição" de Criatividade:


"A Criatividade, conceptualizada como a capacidade do jogador de produzir trabalho que seja por sua vez original, inesperado, apropriado e eficaz no contexto em que se expressa"

Numa altura em que "tudo" é estratégia, controlo e detalhe, não deixam de ser os jogadores originais e imprevisíveis, aqueles que mais nos cativam.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Uma Ode ao Taarabt - ou o que é uma reflexão sobre Criatividade

O ano de 2020 está a ser um ano um ano bem difícil que por razões óbvias, já todos o sabemos.

Paralelamente, também o está a ser no que diz respeito à Criatividade. No mesmo ano perdemos Sir Ken Robinson, expoente máximo da investigação e reflexão sobre Criatividade; e Diego Maradona, um dos jogadores mais Criativos da História do Futebol, senão aquele que melhor manifestou esta capacidade.

Por coincidência, já há muitos anos que não era exigida à sociedade que fosse tão criativa como nos dias de hoje. Seja por uma questão de tentar encontrar formas de se divertir, de trabalhar ou até de sobreviver em contexto de tamanhos constrangimentos e confinamentos.

Também no Futebol, e fruto da evolução (?) do Jogo, urge a necessidade do jogador e da equipa serem criativos e imprevisíveis perante o adversário, como forma de ultrapassar a crescente preponderância da dimensão estratégica que o Futebol de hoje acarreta.

Ao vermos Futebol português, existe um jogador que nos últimos anos nos tem cativado a tentar contrariar essa tendência mais “fechada” que o jogo tem tido: Falamos de Adel Taarabt.

Na mesma altura que choramos a morte de Maradona e nos lamentamos de uma forma gritante da ausência de Criatividade no Futebol actual, assistimos a uma crucificação daquele que poderá ser o jogador mais Criativo que passou por Portugal nos últimos anos.

Quem ataca o marroquino justifica-o na maior parte das vezes com o reducionismo da estatística das “bolas perdidas”, desprezando a premissa preconizada por Vítor Frade de que a estatística é muitas vezes como o biquíni, mostrando muita coisa mas tapando o essencial.

Outro “problema” que Taarabt parece manifestar prende-se com o facto de ele não ser um jogador que goste muito daquilo a que muito chamam das “amarras tácticas” do jogo. Ao contrário do que muitos treinadores (?) querem para a sua equipa, Taarabt nem sempre respeita uma cobertura defensiva, nem sempre preenche o espaço do duplo-pivot de uma forma mais eficaz e nem sempre toma uma opção demasiado segura. Ou seja, Taarabt mostra muitas vezes dificuldade em respeitar os sub-princípios dos sub-princípios que muitos treinadores procuram ver implementados nas suas equipas.

Treinadores esses que enquanto choram pelo desaparecimento do “Futebol de Rua”, são muitas vezes os primeiros a castrar ou a condenar os jogadores que trazem aquilo que melhor as ruas lhes deram para o Estádio.





Com todo o devido respeito, por aqui seremos sempre a favor dos Taarabts desta vida. Enquanto podermos, escolheremos sempre a Criatividade, a Imprevisibilidade e a Fantasia…

 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Olhares sobre a dimensão Criativa do Passe - com vídeo

Nos últimos anos, muito se tem falado de Criatividade no Futebol. Talvez por assistirmos a um equilíbrio cada vez maior entre as equipas, esperamos que exista algum jogador que tende em desequilibrar e desordenar toda a disciplina táctica que vamos assistindo por os diferentes campeonatos.
São muitos os autores que se têm debruçado sobre o tema. Uma das conceptualizações mais interessantes é a de Rafel Pol, preparador “físico” do FC Barcelona, que define a Criatividade como a capacidade do jogador produzir trabalho que seja original, inesperado, apropriado e eficaz no contexto em que se expressa.
Por aqui, somos bastante apreciadores das diversas manifestações daquilo que é um objecto ou uma performance Criativa. Música, artes plásticas, educação, desporto em geral e Futebol em particular, são fenómenos que nos cativam sempre que existe a exteriorização do processo Criativo, mostrando que ainda há muita coisa por “inventar”.
No caso concreto da expressão Criativa no futebol, reconhecemos a importância que a dimensão colectiva e contextual do Jogo conferem à sua concretização. Assim, consideramos que determinado comportamento individual ou colectivo em jogo só possa ser considerado Criativo quando concretizado de forma eficaz pelo(s) seu(s) interveniente(s).

Neste vídeo, poderemos ver aqueles que são considerados 30 dos melhores passes criativos da história do Futebol. Não deixando ser uma classificação subjectiva ao gosto e análise de cada um, nota-se que a qualidade dos jogadores e das suas acções é extraordinária.



Através da observação e da interpretação que o vídeo nos transmite, verificamos o seguinte:

·      Existe um domínio NeuroMotor extraordinário da parte dos seus intervenientes. Para todos os jogadores-passadores presentes no vídeo, a bola não lhes é nenhum corpo estranho, pelo contrário. Nestes casos, a bola aparece como mais uma parte do seu próprio corpo, ou invocando o Professor Vítor Frade, a bola é-lhes uma “Apêndice Corporal” que eles dominam na perfeição e das mais diversas formas. Enquanto existem jogadores que quando têm a bola sob determinados constrangimentos específicos espácio-temporais olham para ela como um problema, estes jogadores mostram-se bastante à vontade com ela, utilizando-a de forma fluída e natural. Acreditamos por isso que, mais do que valorizar a necessidade da melhoria da literacia NeuroMotora específica do Jogo de Futebol, importa treiná-la e contextualizá-la, fazendo com que se mostre eficaz e eficiente, sobretudo nos momentos de bastante constrangimento espácio-temporal.

·      Em caso algum do vídeo a Criatividade é encarada de forma individual. Em especial por se tratar de uma compilação de passes criativos, verifica-se que os mesmos só são eficazes quando “acompanhados”, pelo menos, por mais do que um jogador (jogador passador/jogador receptor). Nem sequer estariam no vídeo se fossem tratados de outra forma. Ou seja, não é fácil considerar que determinado jogador que executa o passe é criativo se não houver outro jogador que lhe acompanhe o processo criativo e se predisponha a ser o receptor. Para além desta inter-relação específica, existe ainda a interpretação destes jogadores daquilo que é o seu envolvimento e as suas condicionantes. Em especial, o jogador-passador, por ter a bola em seu poder, tem de ter uma capacidade fantástica da leitura de jogo (colegas, adversários, baliza, zona do campo) e de processamento de toda a informação que lhe permita a decisão-acção.

·      No quotidiano a expressão “pensar fora da caixa” é muitas vezes conectada ao processo criativo. Contudo, quando um jogador “pensa fora da caixa” no processo de treino de futebol e se põe a “inventar” é muitas vezes repreendido por manifestar esse comportamento (na nossa opinião, qualidade). Acreditamos que grande parte dos passes que vemos no vídeo são bastante difíceis de executar na sua dimensão mais táctico-técnica, e que não estão ao alcance de muitos jogadores. É um risco elevado tentar fazê-los. Mas não deverá o jogador, pelo menos, tentar? Ao olharmos para o vídeo imaginamos os milhares de feedbacks que os treinadores (nós incluídos) tomam junto dos seus jogadores exigindo outra tomada de decisão, 99% dos casos, mais segura e menos arriscada. Contudo, e contra nós falamos que, ao fomentarmos esse tipo de tomada de decisão de abolição do risco não se está a contribuir para o desaparecimento da expressão criativa no futebol?


Quando vivemos numa época onde existe a necessidade de tentarmos culpabilizar tudo e todos, talvez esteja na altura de nós treinadores assumirmos a responsabilidade de não vermos mais vezes momentos como os do vídeo, nas diferentes competições que tomam conta do Futebol. Que esteja presente no treino mais literacia NeuroMotora, mais Especificidade e mais Risco! De certeza que veremos no Jogo mais Criatividade!