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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

A displicência defensiva dos médios do Benfica - os exemplos de Glasgow e de Liège

 


À atenção do Arsenal!

Notámos em algo comum a dois golos sofridos pelo Benfica na presente edição da Liga Europa.

Parece óbvia a diferença entre o Benfica de Jesus da sua primeira passagem, e este, que assistimos no seu regresso.

Seja em que momento do jogo for, nesta segunda passagem não vemos um Benfica tão forte tacticamente, e isso, por mais que muitos o queiram fazer parecer, deve ser visto como um Todo.

Reportamo-nos a dois golos sofridos na Liga Europa. Ambos fora, e ambos nos empates frente ao Rangers e ao Standard de Liége. Ambos em consequência de cruzamentos para a área. Ambos com responsabilidades dos médios da equipa.

Muitos comentadores e adeptos têm sido bastante críticos para com os defesas do Benfica. Contudo, e como pretendemos mostrar, quando se sofrem golos, a análise têm que ir muito para além de uma responsabilização individual ou sectorial sobre os defesas.

Neste golo sofrido em Glasgow, vemos como Gabriel tem uma atitude completamente displicente aquilo que está acontecer a poucos metros de si. Gabriel mostra-se muito pouco determinado em colaborar com os seus colegas, permitindo que na recarga, Scott Arfield inaugure o marcador.

Já no golo sofrido em Liége, é Taarabt quem parece não promover a necessária superioridade defensiva dentro da grande área, permitindo a Raskin aproximar-se da linha defensiva e cabecear com sucesso para o primeiro golo do jogo.



Com estes vídeos quisemos mostrar que os golos sofridos de uma equipa vão muito para além dos comportamentos da sua linha defensiva. Essa visão mais cartesiana do Futebol, leva a que não se veja o Jogo como um Fenómeno Caótico, Sistémico e Complexo que ele é…  

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Análise ao início de uma goleada - o primeiro do Benfica contra o Vilafranquense

 

Com o objectivo de melhorar a nossa competência através da análise de vídeo, tendo em conta que só o temos feito em foto, quisemos aventurar-nos com o fantástico software Metrica Play.

Nesse sentido, quisemos explorar um golo que nos permitisse reflectir sobre diferentes questões de análise, escolhendo o primeiro golo da vitória do Benfica frente ao Vilafranquense para a Taça de Portugal, tendo visto os seguintes comportamentos: 

  • O Gabriel tem tempo e espaço para fazer o que quer.
  • Os três médios do Vilafranquense estão um pouco perdidos quanto às necessidades de pressão, contenção e coberturas.
  • A abordagem do defesa-central-esquerdo do Vilafranquense pode não ter sido a melhor tendo em conta o ataque à profundidade por parte do Gonçalo Ramos.
  • Embora não esteja descrito no vídeo, chamamos ainda a atenção para o facto da linha-defensiva do Vilafranquense poder estar um pouco subida demais, tendo em conta que o Gabriel está com a “bola descoberta”.


Mais do que deixar uma crítica barata e destrutiva à organização defensiva do Vilafranquense, esperamos que se o vídeo lá chegar, seja mais um elemento para melhorar o trabalho do mister João Tralhão.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Jorge Jesus e a sua Linguagem Corporal

Estamos longe de perceber bem o mundo do Coaching e do PNL (Programação Neurolinguística). Reconhecemos mesmo que temos essa lacuna profissional. Mas não é por isso que deixamos de julgar estes sinais do Jorge Jesus após os golos sofridos no jogo de ontem contra o PAOK.

A forma apaixonada e emocionalmente bastante intensa com que Jorge Jesus vive o Jogo, provoca no próprio determinadas manifestações comportamentais que podem interferir de uma forma bastante negativa junto dos seus jogadores, quando o rendimento não alcança o patamar desejado pelo Mister.

Jorge Jesus após o primeiro golo sofrido diante do PAOK

O ajoelhar no Dragão em Maio de 2013, após o vitorioso golo de Kelvin, tornou-se uma imagem mítica, que ainda hoje simboliza uma das maiores derrotas do novo século no Futebol Português. Contudo, por mais forte que seja a imagem é bastante compreensiva, dada a natureza das suas consequências: a perda do título de campeão para o FC Porto.

Já ontem, passados 7 anos, Jorge Jesus volta a corporalizar a derrota, com tiques derrotistas, que em nada contribuem para fazer uma injecção motivacional digna e necessária para a contrariedade do momento.

Jorge Jesus com uma expressão derrotista no segundo golo do PAOK

Custa-nos perceber como é que um treinador tão competente, que tem alcançado por mérito próprio uma grande “Cultura de Vitória” tenha este tipo de expressões, que em nada devem contribuir para uma melhoria motivacional dos seus jogadores.

Imagens TVI

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Nuno Tavares e o que as suas recepções nos ensinam


Com uma filosofia de louvar, o Benfica tem feito uma “aposta” interessante nos seus talentos oriundos dos escalões de formação.

O lateral-esquerdo Nuno Tavares é um deles. Aproveitando a ausência de Grimaldo por lesão, Nuno Tavares mostra ser uma boa alternativa para o espanhol, sem, contudo, conseguir oferecer tanta qualidade quanto Grimaldo.

Admitimos que poderemos estar a ser um pouco injustos e a pegar no lado negativo da sua exibição. Mas mais do que personificar o caso do Nuno Tavares, quisemos reflectir sobre o que esse caso representa.

Após uma observação mais atenta à sua prestação no jogo contra o Rio Ave, e focando-nos exclusivamente na primeira-parte, verificámos que o jovem jogador manifestou constantes dificuldades na recepção de bola.

Reflectindo sobre o porquê destas dificuldades, reparámos nos comportamentos que a seguir enumeramos, e que julgamos terem de ser melhorados na equipa do Benfica para que o jogador possa ser mais consequente após o passe dos seus colegas. Sim, porque acreditamos que muitas vezes os jogadores só falham a recepção porque também há um passe fraco antecedente, acreditando que a recepção de bola não seja algo estritamente relacionado com quem a recebe.

  • Posicionamento em profundidade – aquando da bola no defesa-central do lado esquerdo, Nuno Tavares parece estar numa zona um pouco adiantada para ser uma linha de passe fluída. Ou seja, muitas das vezes tem de recuar alguns metros para poder receber a bola, já que se apresenta um pouco adiantado.

  • Orientação corporal – defendemos que, sempre que possível, a bola deva ser dominada com o pé mais afastado do passador, de forma a orientar a mesma para a progressão. Contudo, se não existir uma boa orientação corporal, tal comportamento individual não poderá ser executado.

  • Não domínio do pé não-dominante – é estranho que a top, numa das melhores academias do mundo, um dos seus “produtos” tenha tantas dificuldades em usar o seu pé não-dominante. Se o passe antecedente não tem essa preocupação, não deverá o jogador sentir-se minimamente confortável com o pé não-dominante?

  • Inteligência táctica do passador – com um volume de treinos tão grande no alto rendimento, não deveriam os colegas conhecerem-se melhor? Ou seja, o jogador que procura Nuno Tavares não deveria já saber das suas dificuldades na recepção de bola para quando esta vai para o seu lado direito do corpo? Tal como dissemos anteriormente, julgamos que a culpa de tamanho insucesso não é isolada do receptor…


Com estas considerações, poderemos dizer que algo no processo de treino do Benfica poderá ter de ser melhorado ao nível da escala mais individual. Mesmo tratando-se o Benfica de um dos maiores exemplos do alto-rendimento a nível mundial. Mesmo para alguém que tem uma “boa escola”, já que para além do Benfica passou ainda pelo Casa Pia e pelo Sporting, existe sempre espaço para a melhoria de determinadas capacidades mais ou menos individuais. Acreditamos que o Futebol ganhava bastante com esta preocupação…

terça-feira, 17 de setembro de 2019

40km de Escolas de Futebol dos "TrêsGrandes"


Com cerca de 40 kms de distância, os “Três Grandes” estabeleceram-se com ainda mais força no centro de Portugal para a época 2019/2020.
Fornos de Algodres viu começar uma “Benfica Escola”. O Grupo Desportivo de Mangualde assinou protocolo com o Sporting Clube Portugal para ali funcionar um “Pólo de Recrutamento” e desenvolvimento de jovens leões. Viseu, novamente através do Clube de Futebol Os Repesenses receberá a 23ª “Dragon Force”.
Nada contra este tipo de protocolos e parcerias. Até porque já tivemos o privilégio de trabalhar numa Dragon Force e numa Escola Academia Sporting e quão enriquecedor foi para nós essa passagem… Mas volvidos alguns tempos, reflectimos bastante acerca do trabalho destes projectos.
O seu impacto é sempre extremamente positivo na comunidade. São habitualmente escolhidas pessoas extraordinariamente competentes para desempenhar as funções de Coordenadores, com experiência e conhecimento metodológico bem acima da média, que acabam por ser ao mesmo tempo excelentes formadores de treinadores (normalmente) locais.
Aqui é que entra a nossa admiração! Não devia esse trabalho ser feito antes pela Federação Portuguesa de Futebol ou até mesmo pelas Associações de Futebol? É vulgar ouvirmos/lermos dos românticos que “os Melhores Treinadores devem estar na Formação”. Então e os Melhores Treinadores de Treinadores, onde devem estar?
O que temos vindo a assistir nos últimos tempos é precisamente um aumento do papel de responsabilização dos clubes-mãe em formar treinadores. A Federação e as Associações de Futebol escusam-se do seu trabalho e estas filiais acabam por beber dos ensinamentos metodológicos e operacionais dos seus clubes-mãe tentando tirar os respectivos dividendos.
Do ponto de vista técnico os dados que temos obtido são positivos, pois o Futebol local acaba sempre por verificar uma melhoria do ponto de vista individual e colectivo. E isso é sempre o que importa mais!
Mas e o resto? Até que ponto deveremos continuar com o endeusamento dos “Três Grandes”? Por este andar, daqui a umas dezenas de anos podemos correr o risco de termos quadros competitivos formados apenas pelos Portos, Sportings e Benficas espalhados por Portugal…   

sábado, 5 de novembro de 2016

Quando se ganha por 32 a 0!

Hoje o Benfica ganhou 32 a 0, num jogo de infantis. Infelizmente, este caso não é único, e embora não seja frequente, vai acontecendo ao longo da época nas mais diversas regiões de Portugal.

Num resultado destes há muita coisa que nos faz confusão. Tanto numa equipa como na outra.

Começando pelo Mem Martins e desconhecendo por completo essa equipa, não deixa de ser lamentável que se apresente em competição com um grupo de jogadores capaz de tal feito histórico. Temos consciência e também nós provocamos os jogadores para que eles sintam que o Futebol não é um “mar de rosas”. Mas expor as crianças a tal humilhação é tudo o que menos se quer no futebol de formação. Como se sentiam as crianças no final do jogo? Que palavras lhes disse o seu treinador no final do mesmo? Como ficariam os pais depois de verem os seus pequenotes a ser desvalorizados daquela maneira?

Passando para o lado do Benfica, cujo seu lema é “formar a ganhar”, julgamos que deveria repensar melhor a sua estratégia para o seu futebol de formação de iniciação. Pelo menos para este jogo. Não acreditamos que a hora que os meninos passaram nesta partida tenha contribuído para o seu processo formativo. Algo está errado quando se marca um golo de 2 em 2 minutos e quem menos culpa tem, são obviamente as crianças.

Com este resultado presumimos que a equipa se apresentou na sua máxima força, com os seus melhores jogadores nas suas melhores posições. Daí, deixarmos umas interrogações. Não seria melhor para o jogo, o treinador tem colocado em campo menos jogadores do que o seu adversário? Não seria melhor para o jogo, o treinador colocar os jogadores em posições menos confortáveis criando-lhes alguma dificuldade naquilo que é o seu processo? Não poderia o treinador ter criado algumas condicionantes estratégicas aos seus jogadores para eles marcarem golo (por exemplo: remate com pé não-dominante, passar a bola por todos antes de marcar golo)?

Temos consciência que se estaria a descaracterizar a essência do jogo, mas acreditamos que a formação das valências técnicas e humanas das crianças é prioritária a qualquer recorde e fome de ego que possa haver. Pelo menos, é esta a ideia de quem tem uma visão romântica do jogo.


Ficamos a aguardar outras opiniões…

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A Aprendizagem num Jogo da Champions - SL Benfica vs FC Bayern

Na passada quarta-feira tivemos o prazer de assistir no Estádio da Luz ao duelo da Champions entre o SL Benfica e FC Bayern.
As diferenças entre as duas equipas foram muitas, tendendo maior parte delas, na nossa opinião, em favorecimento do Bayern de Munique.

É conhecido a intencionalidade de Guardiola estruturar a Organização Colectiva da sua equipa “em função de como querer atacar e o como atacar”. Embora pareça paradoxal, tal propósito tem como base uma atitude extraordinariamente defensiva, retirando dessa forma a bola ao adversário e antecipando posicionalmente, fruto de um número elevado de jogadores na zona da bola, a possibilidade de a perder – não é um acaso a sua eficácia no momento de transição defensiva. Enquanto o Bayern utilizou essa dinâmica ofensiva, o Benfica utilizava outra estratégia, colocando apenas normalmente 2 jogadores no espaço circundante da bola, o seu portador e mais um apoio. Este princípio ajudava a que a equipa se mantivesse o mais rígida e disciplinada possível no que refere à sua estrutura em campo, tentando manter a equipa o menos descomposta possível para o momento de transição defensiva.

Por termos visto o jogo metros atrás do Guardiola, reparámos bastante na sua postura no banco. Ao contrário de Rui Vitória, sempre de pé, sereno e concentrado no jogo, o espanhol alternou períodos em que se encontrava de pé, bastante comunicativo e expressivo, com momentos em que se abrigava no banco de suplentes. Contudo, aquilo que nos chamou mais a atenção foi o facto de Guardiola comunicar e dialogar bastante com os elementos do banco de suplentes (infelizmente não sabemos se com os seus colegas do corpo técnico se com os jogadores suplentes).

No que à sub-dimensão técnica do Jogo diz respeito, os jogadores do Bayern Munique são bastante superiores aos do Benfica. Não querendo ter uma opinião bastante extremada, e reportando-nos somente às características táctico-técnicas dos jogadores, julgamos que dificilmente algum jogador do Benfica teria lugar na convocatória do clube alemão. A qualidade com que os jogadores do Bayern jogam sob fortes constrangimentos espácio-temporais, é enorme. Com excepção do Javi Martinez que nos pareceu mais limitado e “pesado” de movimentos, todos os outros jogadores são verdadeiramente fenomenais e eficazes tecnicamente.

A permanência de Fejsa em campo durante o jogo todo pareceu-nos exagerada. Embora apreciemos as suas qualidades defensivas, não conseguimos perceber porque é que o seu papel ofensivo na equipa é nulo. Muito raras foram as vezes em que Fejsa tenha tocado na bola sem ser nas suas recuperações. Isto é, mesmo que se encontrasse livre de oposição, ele não constituía uma solução ao jogador portador da bola da sua equipa. Ele estava em campo para desempenhar tarefas quase exclusivamente defensivas. Acreditamos que é importante questionar e reflectir se fará sentido num jogo a Top onde o Benfica tinha que ganhar, o Fejsa apresentar-se com um comportamento ofensivo tão limitado? Ou então, com o desenrolar da partida, não seria importante ele ser substituído por outro jogador com outro perfil de médio-defensivo, como por exemplo Samaris, tentando dar alguma mais continuidade à posse de bola  da sua equipa?
Também por sermos bastante admiradores do Jogar do Bayern Munique, tentámos decifrar alguns padrões comportamentais que nos ajudassem a entender melhor o porquê do mesmo ser tão cativante. Daquilo que conseguimos “atingir” verificámos que:
·         Uma das maiores dificuldades nesta “análise” do Bayern foi tentar conceptualizar a sua estrutura posicional com e sem bola. Em especial, por ter andado a “experimentar” algumas dinâmicas nos minutos iniciais do jogo. Assim, e tentando decifrar a propensão de comportamentos podemos inferir que:
o   com bola, a equipa apresentou-se numa espécie de 1x2x3x4x1, com Neuer; Javi Martinez (DCE), Kimmich (DCD); Alaba (MDE), Xabi Alonso (DC), Lahm (MDD); Ribéry (EE), Thiago Alcântara (MIE), Vidal (MID) e Douglas Costa (ED); Müller (AV).
o   sem bola, o Bayern dispôs-se em 1x4x3x3, com o triângulo do meio-campo a estruturar-se em 1 (Xabi Alonso) x 2 (Alcântara e Vidal).   
·         A largura foi maioritariamente assegurada pelos extremos, que mesmo jogando sobre o lado do pé não-dominante, raramente viram o defesa lateral realizar o chamado “overlap”. Ao contrário do que muitas vezes se assiste, os extremos não trocaram de lado durante a partida.
·         Das poucas vezes que os laterais realizaram movimentos de rotura, sobre a defesa adversária, originaram golo. Isso aconteceu no primeiro golo do Bayern, quando Lahm entrou no espaço entre Eliseu e Jardel; e no golo anulado a Müller quando Alaba entrou nas costas de Lindelöf. A linha defensiva do Benfica não pareceu estar muito bem preparada para se ajustar perante estas desmarcações dos laterais contrários.
·         Como os defesas-laterais não passam muitas vezes para terrenos mais adiantados que os extremos, permite à equipa estar muito mais preparada para as percas de bola.
·         Em organização defensiva, o Bayern cria uma zona de pressão com muitos jogadores sobre a bola que tornam a zona extremamente sufocante. Contudo, quando a mesma não é eficaz e os adversários se conseguem libertar, existe alguma dificuldade em reajustar os seus posicionamentos e em definir uma outra zona de pressão sufocante que condicione os seus adversários. Isso aconteceu por algumas vezes na parte inicial da partida, culminando a favor do Benfica com o golo inaugural de Jimenez que aproveitou um belo cruzamento de Eliseu, que se livre de pressão durante alguns momentos foi progredindo até efectuar a assistência para golo.  
·         As referências do processo ofensivo eram precisamente os extremos. A equipa procurava fazer uma sequência de passes sobre um corredor, de forma a libertar o mais possível tempo e espaço defensivos do adversário sobre o outro corredor – quase sempre no sentido esquerda direita, para Douglas Costa ficar em situação de 1v1 para Eliseu.
·         Sempre que a bola era chutada por Neuer ou por qualquer defesa para zonas adiantadas do campo, a linha defensiva “subia” em sprint (como se fosse uma final dos 100m!) para a frente, com o propósito de retirar o máximo de espaço ao seu adversário, confiando a Neuer o controlo da profundidade;
·         O Jogar das equipas de Pep Guardiola é caracterizado por se basear num futebol de posse dinâmica e apoiada. No entanto, um dos jogadores mais importantes nesta partida foi Xabi Alonso, que se destacou pelos seus passes… longos! à procura dos extremos. Acreditamos que esta característica específica de Xabi (talvez um dos melhores do mundo nesta tarefa táctico-técnica) tenha sido fulcral (para a sua contratação e) para a estratégia de Pep para este jogo
·         Por fim, queremos destacar o entendimento que os jogadores do Bayern têm da ideia do seu treinador. Sempre que o jogador X tem a bola, os outros 10 jogadores sabem o que têm de fazer. Seja uma cobertura ofensiva, uma desmarcação em profundidade, um movimento de largura ou aproximação ao portador da bola… e fazer isso a uma exigência Top é extremamente complexo e extraordinário. Comparando novamente as equipas, no caso do Benfica, por mais do que uma vez se constatou a dificuldade que os jogadores com bola tinham em resolver os seus problemas. Sobretudo na primeira-parte, o portador da bola encontrava imensas dificuldades em obter algo de positivo com ela. A tal noção colectiva que o jogo do Bayern foi completamente díspar da do seu adversário. Enquanto que vimos, por exemplo o Renato Sanches ao “meiinho” no meu de três adversários, vimos jogadores do Benfica com bola como o Pizzi, Carcela-Gonzaléz e Salvio em “meiinhos” de pressão do seu adversário, sem saber o que fazer com ela, fruto de uma abordagem mais individualista do jogo.


Por fim, não podíamos deixar uma palavra de apreço a toda a “nação benfiquista”. Embora reconheçamos muita mais qualidade no conjunto bávaro, o campeão nacional tem, sem dúvida, uma falange de apoio de fazer arrepiar. Embora se tenham deixado ir um pouco a baixo no momento do empate, a verdade é que não faltou apoio aos jogadores encarnados que podem contar com os seus adeptos para o que falta do campeonato. Com este ambiente, ficará mais acessível atingir o 35º título de campeão nacional…       

domingo, 6 de março de 2016

Notas sobre o jogo do título (?)


Considerado na comunicação social como o Jogo do Título (quando ainda faltam 9 jornadas achamos um exagero) muita expectativa criámos sobre este derby onde muito se lutou mas nem sempre se jogou…
O jogo entrou a um ritmo alto, intenso, mas sobretudo emocional. Ambas as equipas, quando em posse, cometeram muitos erros e fartaram-se de perder bolas. Constantes contactos físicos não deixavam tempo-espaço para uma eficácia desejada pelos seus treinadores. Ao nível da intencionalidade da decisão os jogadores não entraram nada bem, estando o jogo em constante reboliço táctico-técnico.
Somos bastante admiradores da qualidade demonstrada pela “armadilha” do fora-de-jogo promovida pela linha defensiva do Benfica. No entanto, a única vez que nos recordamos que esse comportamento tenha falhado, veio a originar a bola à trave do Jefferson, o que demonstra a necessidade desse comportamento ter de ser extraordinariamente exímio. Caso contrário pode ser fatal por apanhar a equipa em contra-deslocamento com os seus adversários.
Durante a primeira parte, ambas as equipas privilegiaram o seu processo ofensivo pelo lado dos bancos de suplentes. O Benfica, sobre a sua esquerda, a tentar explorar a profundidade do João Pereira e a relação entre este e Coates; e o Sporting, pela direita, a procurar massacrar o jogo defensivo do Eliseu.
Em especial após o golo marcado, o Benfica parece mais forte a nível táctico-psicológico. O golo serviu como um balão anímico que tornou a equipa mais calma, serena, a lidar melhor com o derby. Mesmo com o jogo a ser jogado a um nível táctico-físico muito intenso, o Benfica pareceu estar mais tranquila. Coincidência ou não, o treinador do Sporting até se mostrou muito mais sossegado do que é costume, ao contrário da sua equipa.
Muita falta fez o William Carvalho ao Sporting durante a primeira-parte. Também Bryan e João Mário não tiveram a bola como deveriam, mas sobretudo o luso-angolano realizou uma primeira-parte muito passiva. Parece que está mais lento e pesado que o melhor William que conhecemos. Muito ausente na construção e pouco agressivo a defender. É estranho que um jogador tão forte na dimensão táctica tenha sido um jogador meramente reactivo e não proactivo como se deseja que seja um jogador de top.
O Sporting entrou com ligeiro ascendente na segunda parte, embora tivesse sido propositado pelo Benfica, na nossa opinião. A estratégia defensiva do Benfica foi mais expectante, com os seus médios mais contidos na pressão. Foram uns primeiros 15min igualmente intensos mas mais bem jogados comparados aos primeiros 15min do jogo.
Já com William “em campo”, o futebol do Sporting foi outro. A vontade em assumir o jogo, em ter a bola e em fazê-la chegar com qualidade aos seus companheiros ajudou imenso a melhorar o jogo ofensivo (e defensivo também) do Sporting.  
Com excepção do André Almeida que foi batido várias vezes individual e grupalmente pelos seus adversários, a linha defensiva do Benfica foi fortíssima ao nível da concentração e sobretudo do desarme. Lindelöf tem crescido bastante nas últimas duas épocas e parece estar cada vez mais competente. Foi muito melhor ontem – em termos individuais e sectoriais com André Almeida e Jardel – do que foi com o FC Porto, deixando adivinhar um salto na sua carreira. Mesmo que continue dentro do Benfica, não acreditamos que continue como 4º defesa-central.
Quando muito se admira a “entrega” do Renato, nós julgamos que o miúdo deva começar a correr menos. Por mais do que uma vez, a sua linha de pressão  (diferente da linha de pressão do Samaris) foi ultrapassada por se “entregar” de mais ao jogo, saindo da sua zona de contenção para pressionar a linha defensiva do Sporting de uma forma individual e descontextualizada daquela que era a atitude dos os seus colegas.  
A quantidade de passes falhados pelo Sporting é preocupante para uma equipa de top. Acreditamos que uma equipa que ambicione ser campeã tenha de ser bem mais forte neste capítulo. Das duas, uma: ou melhoram bastante a precisão táctico-técnica do passe; ou gerem melhor a decisão-acção de risco que tantas bolas os obrigam a perder.  
Quanto mais se aproximava do fim do jogo, mais o Benfica se mostrava eficaz a defender e o Sporting desorganizado a atacar. As substituições do Sporting foram inconsequentes e a criatividade tão necessária para desmantelar uma estrutura defensiva tão forte como foi a do Benfica – a par da linha defensiva, Samaris esteve exemplar – não apareceu quando mais os “leões” precisavam.

Com 9 jornadas para o fim, muitos pontos se podem perder. Mas sobretudo muitos pontos ainda há para jogar, e nesse capítulo, o Benfica parece estar à frente…