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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Quando fazes merd# a dobrar - Payet e o golo sofrido do Marseille frente ao Reims

Uma das qualidades que apreciamos mais no jogador de Futebol é a sua capacidade em lidar com a adversidade. Seja numa escala mais Macro, como por exemplo o falecimento de um ente querido, ou numa escala mais Micro, como uma perda de bola num drible.


Foi precisamente isso que não aconteceu com Payet, no empate caseiro do Marselha frente ao Reims.



- Perda de bola em situação arriscada.

- Ausência de cobertura defensiva em zona perigosa.

Ou seja, não soube lidar com a primeira adversidade, onde teve uma reacção à perda bastante desconcentrada e tacticamente fraca perante a circunstância em causa.

Dois erros crassos numa mesma jogada, e golo inaugural para o Reims.


🎥 Metrica Sports

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

E quando o jogador sabe mais que o treinador?

Para se entender melhor esta reflexão, é importante contextualizar-se a mesma: situação de 2x1 + GR em que os 2 atacam perto da grande área e ouve-se o treinador para o portador da bola “Chuta a baliza! Chutaaa!”. A criança/jogador opta antes por fazer passe para o colega e é golo!

Um dos nossos maiores desafios enquanto treinadores de escalões de formação, é conseguir evoluir as competências do jogar, tanto individuais como colectivas, de cada criança/jovem.

Com este objectivo, espera-se que o treinador formador, no mínimo (!), não atrapalhe a natural evolução do jogador. Frase que pode parecer óbvia, mas olhando para os feedbacks de alguns treinadores, não é assim tão perceptível.

Consideramos que o treinador/formador, para além de necessitar de um conjunto de bases teóricas e práticas abordadas nos cursos associativos e/ou académicos, deva também ser humilde ao ponto de reconhecer que o jogador poderá entender mais do Jogo que ele próprio. Mesmo que esse jogador tenha apenas 8 anos (caso prático acima descrito)!!!

Segundo a literatura, a tomada de decisão é influenciada por diversos factores como por exemplo a motivação, as experiências pessoais e sobretudo as emoções. E neste último aspecto, existem algumas dúvidas que nos assolam, tal como a James Vaughan (investigador neo-zelandês), entre as quais podemos questionar, como conseguimos nós treinadores sentir o jogo no banco, como as crianças o sentem em campo? Poderemos nós condicionar as decisões às quais as crianças não se sentem felizes ou confortáveis em fazê-las? Ou cabe aos treinadores criar essa mesma felicidade no treino através da criação de cenários (ou exercícios, se preferirem) que criem emoções favoráveis à aprendizagem de melhores decisões? Ou pior ainda, porque não aprendemos nós treinadores a entender/sentir melhor o Jogo com as crianças para entendermos as suas decisões?

Estas dúvidas fazem com que nós tenhamos a tendência para acreditar que uma postura humilde por parte do treinador, que permita às crianças expor as suas competências de uma forma mais natural e menos condicionada pelo próprio, seja a melhor postura a adoptar no processo formativo. Julgamos por isso mais acertado, que muitas das vezes o treinador deva ficar calado, e guardar o feedback para si, ao invés de obrigar o jogador a decidir de forma errada. O treinador até poderá estar a “ver” melhor a jogada, mas não a “sente” como o jogador, por isso não poderá estar a obrigá-lo a manifestar um comportamento ao qual ele não se sinta capaz de realizar de uma forma eficaz. E já nem vamos entrar pelo capítulo da castração da tomada de decisão criativa, que daria asas a muita mais discussão, com o treinador a ter um papel cada vez mais importante na potenciação da criatividade fruto do desaparecimento do “futebol de rua”...




PS: A propósito do tal miúdo que “rejeitou” a opinião do treinador, ele jogava “pra caraças”, daí nos custe tanto que ele possa ficar com o seu processo evolutivo tão danificado…