Com
uma filosofia de louvar, o Benfica tem feito uma “aposta” interessante nos seus
talentos oriundos dos escalões de formação.
O
lateral-esquerdo Nuno Tavares é um deles. Aproveitando a ausência de Grimaldo
por lesão, Nuno Tavares mostra ser uma boa alternativa para o espanhol, sem,
contudo, conseguir oferecer tanta qualidade quanto Grimaldo.
Admitimos
que poderemos estar a ser um pouco injustos e a pegar no lado negativo da sua
exibição. Mas mais do que personificar o caso do Nuno Tavares, quisemos
reflectir sobre o que esse caso representa.
Após
uma observação mais atenta à sua prestação no jogo contra o Rio Ave, e
focando-nos exclusivamente na primeira-parte, verificámos que o jovem jogador
manifestou constantes dificuldades na recepção de bola.
Reflectindo
sobre o porquê destas dificuldades, reparámos nos comportamentos que a seguir enumeramos, e que julgamos terem de ser melhorados na equipa do Benfica para que o jogador possa
ser mais consequente após o passe dos seus colegas. Sim, porque acreditamos que
muitas vezes os jogadores só falham a recepção porque também há um passe fraco
antecedente, acreditando que a recepção de bola não seja algo estritamente relacionado
com quem a recebe.
- Posicionamento
em profundidade – aquando da bola no defesa-central do lado esquerdo, Nuno
Tavares parece estar numa zona um pouco adiantada para ser uma linha de passe
fluída. Ou seja, muitas das vezes tem de recuar alguns metros para poder
receber a bola, já que se apresenta um pouco adiantado.
- Orientação
corporal – defendemos que, sempre que possível, a bola deva ser dominada com o
pé mais afastado do passador, de forma a orientar a mesma para a progressão.
Contudo, se não existir uma boa orientação corporal, tal comportamento
individual não poderá ser executado.
- Não
domínio do pé não-dominante – é estranho que a top, numa das melhores academias
do mundo, um dos seus “produtos” tenha tantas dificuldades em usar o seu pé
não-dominante. Se o passe antecedente não tem essa preocupação, não deverá o
jogador sentir-se minimamente confortável com o pé não-dominante?
- Inteligência
táctica do passador – com um volume de treinos tão grande no alto rendimento,
não deveriam os colegas conhecerem-se melhor? Ou seja, o jogador que procura
Nuno Tavares não deveria já saber das suas dificuldades na recepção de bola
para quando esta vai para o seu lado direito do corpo? Tal como dissemos
anteriormente, julgamos que a culpa de tamanho insucesso não é isolada do
receptor…
Com
estas considerações, poderemos dizer que algo no processo de treino do Benfica
poderá ter de ser melhorado ao nível da escala mais individual. Mesmo tratando-se
o Benfica de um dos maiores exemplos do alto-rendimento a nível mundial. Mesmo
para alguém que tem uma “boa escola”, já que para além do Benfica passou ainda
pelo Casa Pia e pelo Sporting, existe sempre espaço para a melhoria de
determinadas capacidades mais ou menos individuais. Acreditamos que o Futebol
ganhava bastante com esta preocupação…