Considerado na comunicação social como o Jogo do Título (quando
ainda faltam 9 jornadas achamos um exagero) muita expectativa criámos sobre
este derby onde muito se lutou mas nem sempre se jogou…
O jogo entrou a um ritmo alto, intenso, mas sobretudo
emocional. Ambas as equipas, quando em posse, cometeram muitos erros e
fartaram-se de perder bolas. Constantes contactos físicos não deixavam
tempo-espaço para uma eficácia desejada pelos seus treinadores. Ao nível da
intencionalidade da decisão os jogadores não entraram nada bem, estando o jogo
em constante reboliço táctico-técnico.
Somos bastante admiradores da qualidade demonstrada pela “armadilha”
do fora-de-jogo promovida pela linha defensiva do Benfica. No entanto, a única
vez que nos recordamos que esse comportamento tenha falhado, veio a originar a
bola à trave do Jefferson, o que demonstra a necessidade desse comportamento
ter de ser extraordinariamente exímio. Caso contrário pode ser fatal por
apanhar a equipa em contra-deslocamento com os seus adversários.
Durante a primeira parte, ambas as equipas privilegiaram o seu
processo ofensivo pelo lado dos bancos de suplentes. O Benfica, sobre a sua
esquerda, a tentar explorar a profundidade do João Pereira e a relação entre
este e Coates; e o Sporting, pela direita, a procurar massacrar o jogo
defensivo do Eliseu.
Em especial após o golo marcado, o Benfica parece mais forte
a nível táctico-psicológico. O golo serviu como um balão anímico que tornou a equipa
mais calma, serena, a lidar melhor com o derby. Mesmo com o jogo a ser jogado a
um nível táctico-físico muito intenso, o Benfica pareceu estar mais tranquila.
Coincidência ou não, o treinador do Sporting até se mostrou muito mais
sossegado do que é costume, ao contrário da sua equipa.
Muita falta fez o William Carvalho ao Sporting durante a
primeira-parte. Também Bryan e João Mário não tiveram a bola como deveriam, mas
sobretudo o luso-angolano realizou uma primeira-parte muito passiva. Parece que
está mais lento e pesado que o melhor William que conhecemos. Muito ausente na
construção e pouco agressivo a defender. É estranho que um jogador tão forte na
dimensão táctica tenha sido um jogador meramente reactivo e não proactivo como
se deseja que seja um jogador de top.
O Sporting entrou com ligeiro ascendente na segunda parte,
embora tivesse sido propositado pelo Benfica, na nossa opinião. A estratégia defensiva
do Benfica foi mais expectante, com os seus médios mais contidos na pressão. Foram
uns primeiros 15min igualmente intensos mas mais bem jogados comparados aos
primeiros 15min do jogo.
Já com William “em campo”, o futebol do Sporting foi outro. A
vontade em assumir o jogo, em ter a bola e em fazê-la chegar com qualidade aos
seus companheiros ajudou imenso a melhorar o jogo ofensivo (e defensivo também)
do Sporting.
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Quando muito se admira a “entrega” do Renato, nós julgamos
que o miúdo deva começar a correr menos. Por mais do que uma vez, a sua linha
de pressão (diferente da linha de
pressão do Samaris) foi ultrapassada por se “entregar” de mais ao jogo, saindo
da sua zona de contenção para pressionar a linha defensiva do Sporting de uma
forma individual e descontextualizada daquela que era a atitude dos os seus
colegas.
A quantidade de passes falhados pelo Sporting é preocupante para
uma equipa de top. Acreditamos que uma equipa que ambicione ser campeã tenha de
ser bem mais forte neste capítulo. Das duas, uma: ou melhoram bastante a
precisão táctico-técnica do passe; ou gerem melhor a decisão-acção de risco que
tantas bolas os obrigam a perder.
Quanto mais se aproximava do fim do jogo, mais o Benfica se
mostrava eficaz a defender e o Sporting desorganizado a atacar. As
substituições do Sporting foram inconsequentes e a criatividade tão necessária para
desmantelar uma estrutura defensiva tão forte como foi a do Benfica – a par da
linha defensiva, Samaris esteve exemplar – não apareceu quando mais os “leões”
precisavam.
Com 9 jornadas para o fim, muitos pontos se podem perder. Mas
sobretudo muitos pontos ainda há para jogar, e nesse capítulo, o Benfica parece
estar à frente…
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