Dia “Intencionalmente” Verde
quinta |
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Preocupações Fundamentais |
Fazer
com todos juntos joguem o mesmo Jogo. |
Preocupações Complementares |
Melhoria
da Manutenção da Posse de Bola. |
Escalas de Complexidade |
Grandes
Princípios e sub- princípios; Relações no plano Coletivo, Intersetorial. |
Variáveis Quantitativas |
Aproximação
do 11v11 – de forma condicionada para a Propensão de comportamentos
desejados; Espaço
com largura e profundidade o mais parecida ao terreno de jogo; períodos de
15' a 20'. |
Fazendo
um balanço para aquilo que foram os treinos de quinta-feira podemos considerar
que talvez tenham sido os treinos mais ricos.
Embora
de uma forma menos constante do que gostaríamos, sentimos que acabámos a época
com quase todos os jogadores a jogar o mesmo jogo, sabendo que essa matriz
colectiva foi fundamentalmente desenvolvida no treino de quinta-feira.
Os
jogadores manifestavam uma linguagem corporal mais positiva e predisposta para
treinar, o que é compreensível já que à terça-feira nem todos estão plenamente
aptos para a dimensão aquisitiva que se pretende.
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Direitos da Imagem - This is Anfield |
Paralelamente,
julgamos também que acabámos a época com bons índices de performance. Mesmo com
alguns jogadores lesionados, a equipa mostrou-se bastante superior aos últimos
adversários, acabando os jogos com alguma “frescura física”.
No
entanto existiram sobretudo três dificuldades que se foram manifestando de uma
forma mais ou menos recorrente ao longo dos treinos de quinta-feira:
De
todas, a mais recorrente foi a dificuldade em gerir as áreas de jogo dos
exercícios. Pelo facto de grande parte das nossas vivências no Futebol enquanto
treinadores, estarem ligadas aos escalões de iniciação, sentimos que algumas vezes
não conseguimos ir de encontro aos objectivos Tácticos do exercício, quer na
sua dimensão mais estratégica, quer na dimensão mais fisiológica.
Se
em contexto amador não é tão fácil auferirmos o grau de eficácia das áreas de
acção dos diferentes exercícios no que ao impacto fisiológico diz respeito, ao
nível estratégico, temos todos os domingos um bom momento para avaliarmos o que
fomos treinando ao logo da semana. E se através do treino, o contexto criado não
está ajustado em função do espaço que vai ocorrer em jogo, não podemos esperar
muito que a equipa tenha em jogo um desempenho tão eficaz como aquele
desempenhado em treino. Isto porque o treino pode não conseguir ter a
representatividade Macro, procurada através de uma escala mais Micro. Relação
de escalas essa que muitas das vezes falhou.
E
foi esta dificuldade operacional, que sentimos que temos que melhorar bastante
para os próximos tempos. Sobretudo quando nos deparávamos com certas
dificuldades em campos grandes como o nosso.
Uma
outra situação que sentimos que temos de melhorar no futuro próximo, se
queremos tirar ainda maior riqueza do treino de quinta-feira, é na eficácia dos
constrangimentos dos exercícios de aproximação do jogo formal, em função dos
comportamentos que queremos modelar.
Se
acima falámos de uma questão de espaço, nem sempre adequada a uma realidade
específica (terrenos de jogo de grande dimensão), neste problema estamos a
falar em algo mais profundo e transversal a qualquer circunstância.
Ou
seja, nem sempre os constrangimentos nas “peladinhas” dos treinos de
quinta-feira, por mais básicos que fossem, eram incorporados pelos jogadores. Isto
porque alguns jogadores nem sempre valorizavam ou reconheciam esses mesmos
constrangimentos como uma mais-valia para o desempenho individual e colectivo
no dia de jogo.
Cabíamos
a nós enquanto líderes intervir o mais rápido possível no sentido dos jogadores
irem de encontro às nossas intenções. Tarefa nem sempre fácil, em especial
quando o próprio jogador tem dúvidas dos benefícios dos tais constrangimentos.
Ou então quando até está num nível superior e até consegue ver “mais à frente”
que o Treinador que esses mesmos constrangimentos podem castrar mais do que
estimular o jogador e a equipa. Este constante conflito ideológico acaba a
nosso ver por trazer mais benefícios, já que promove uma reflexão constante do
Jogo por parte de jogadores e treinadores.
No
nosso caso, por vezes reconhecíamos o nosso erro, e acabávamos por ajustar os
constrangimentos definidos na “peladinha”, porque ao contrário do que era nossa
intenção acabavam por ser contraditórios ou incompatíveis com os objectivos que
pretendíamos alcançar.
Para
finalizar, partilhamos ainda que, reconhecendo a importância de termos uma
visão sistémica do Treinar, sentimos que acabávamos o treino de quinta-feira no
timing errado, devido à preocupação de não querer “treino a mais” para quinta-feira
em função do treino de sexta-feira.
Isto
é, muitas vezes, quando a “peladinha” estava num grau de intensidade Táctica
brutal, por mais que nos custasse, sentíamos que deveríamos terminá-la para que
no dia seguinte os jogadores estivessem minimamente “frescos” e “limpos” para treinar.
Fosse na dimensão fisiológica, fosse fundamentalmente na dimensão Táctica.
Contextualização
Na
quinta-feira anterior à J5 da divisão principal da AF Guarda, aceitámos o
desafio de orientar a equipa principal do GD Foz Côa, naquela que foi a nossa
primeira experiência no futebol sénior. A equipa vinha de um início algo
atribulado, quer em termos de processo (um período pré-competitivo com
bastantes ausências), quer em termos de resultado (uma 1V e 3D).
Uma
equipa experiente, que variou entre os 18 e os 23 jogadores com alguns dos mais
influentes acima dos 35 anos e com percursos muito heterogéneos, havendo desde
o jogador internacional jovem por Portugal, ao jogador com menos de 10 jogos na
principal divisão do distrito da Guarda.
Escusado
será dizer que neste grupo, nenhum jogador era profissional. Pelo contrário,
alguns jogadores nem sempre estavam disponíveis para o jogo e/ou treino. Aliado
a esse constrangimento, muitos dos jogadores têm profissões muito desgastantes
ao nível físico, numa zona geográfica onde a agricultura é uma das áreas com
maior empregabilidade.
Importa
ainda referir que numa zona cada vez mais desertificada, a equipa viu-se órfã
de defesas-centrais (apenas um de raiz) e laterais-esquerdos (apenas um jogador
tinha desempenhado anteriormente essas funções e já como “adaptação”).
Esta
“escassez” teve também reflexo na equipa técnica, centrada apenas na pessoa do Treinador,
acumulando todas as outras funções mais técnicas.
Para
finalizar, é também importante salientar que o clube não possui equipa de
juniores, que tão importante poderia ter sido para enriquecer este processo.
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