Dia
“Intencionalmente” Azul
terça |
|
Preocupações Fundamentais |
Recuperar/Estimular
o Corpo, em função do último jogo. |
Preocupações Complementares |
Desenvolvimento
da técnica “mais individual.” |
Escalas de Complexidade |
Sub-princípios
. Relações no plano intersetorial, Setorial, Grupal e individual |
Variáveis Quantitativas |
Exercícios
com complexidade máxima de GR+6v6+GR; Espaços
relativamente curtos; períodos maiores de 8´ a 12' de exercício. Marcado pela
descontinuidade: joga-descansa. |
De
todos os dias os dias de treino, foi o treino de terça-feira que mais dificuldades
sentimos em o planificar.
As
nossas preocupações fundamentais para este treino baseavam-se maioritariamente
naquilo que se tinha passado no jogo anterior. Em especial na dimensão
emocional e na dimensão fisiológica dos jogadores.
Por um lado, julgamos ser importante que logo no início da semana sejam incrementadas as cargas motivacionais necessárias para encarar a semana de treinos de uma forma positiva. Tanto mantendo um espírito alegremente humilde após um bom resultado, como encorajar os jogadores após um resultado menos bom. Dessa forma, valorizámos o treino de terça para melhorarmos a sócio-afectividade dos jogadores, tanto em termos de escolha de exercícios, como ao nível da instrução.
Vítor Severino e Luís Castro - direitos da imagem "Terra"
Sempre
que possível tentámos definir dois grupos neste treino. O grupo de jogadores
com maior necessidade de recuperação e o grupo de maior necessidade de jogo.
O primeiro
grupo era normalmente aquele que fazia bastantes minutos no jogo de domingo, e
onde a nossa preocupação passava por “afinar porcas e parafusos” ou seja agilizar
a zona pélvica e todas as estruturas ósteo-articulares que a rodeiam, através de
jogos de futvólei, por exemplo, para dessa forma estarem mais “oleadas” para o
resto da semana. Por outro lado, tentávamos que a participação desse grupo nos
outros exercícios fosse a uma escala de muito maior recuperação do que
desempenho, sem que a intensidade em acção fosse perdida. Ou seja, os jogadores
passavam mais tempo a recuperar do que a treinar, mas no momento de desempenho
era-lhes exigido sempre uma postura muito intensa a nível Táctico.
Já
ao segundo grupo, tentámos oferecer o máximo de jogo possível. Em espaços
curtos, muitas das vezes pouco maiores que a grande-área, com equipas pequenas,
tentámos que os jogadores vivenciassem uma fatia do bolo que o jogo de domingo
habitualmente é.
Através
deste tipo de jogo, tentámos que este segundo grupo fosse sempre nivelado por
cima o que nem sempre aconteceu, já que, curiosamente ou não, era neste dia em
que as ausências dos jogadores tendencialmente suplentes mais se notavam.
Intrinsecamente
a esta preocupação do Recuperação/Esforço (em que a palavra Recuperação vem em
primeiro por hierarquia de prioridades), eram escolhidos exercícios em espaços
reduzidos que conseguissem promover alguma tensão muscular aos jogadores.
Segundo a lógica de necessidades dos tais grupos mencionados acima.
Pelo
facto de queremos gerir a relação Recuperação/Esforço da melhor forma,
admitimos que ao longo do desgaste da época fomos utilizando cada vez menos
este dia como dia aquisitivo. Ou seja, fomos utilizando este dia para tentar melhorar
o Corpo de cada um dos jogadores (mais do que o Corpo da equipa), potenciando-o
para que quinta e sexta-feira estivessem mais limpos para a tal aquisição.
Com
maior ou menor grau de especificidade aquisitiva, este dia foi sempre aquele
que procurámos ser o menos instrutivos quanto possível. O facto de grande parte
dos jogadores chegar ao treino ainda com algum desgaste, fez-nos adoptar esta
postura bastante neutra, deixando espaço para os jogadores desfrutarem ao
máximo do seu treino, puxando um bocado do espírito do “Futebol de Rua”, mais
rebelde e imprevisível, para os diferentes exercícios.
Por
fim, resta reconhecer que embora estivesse presente a intenção de trabalharmos
neste dia da semana de forma “mais individual”, tal não aconteceu ao longo da
época. Gostaríamos de ter trazido para o treino de terça-feira o
desenvolvimento de certas ferramentas individuais mais ligadas à dimensão
técnica do jogo, fosse o passe, a recepção, o drible, a finalização, a
colocação de apoios, o cabeceamento, o pé não-dominante… mas que por diversas
circunstâncias não foi possível concretizar. Sempre com a reflexão de Aristóteles
presente, que nos diz que “o todo é maior
que a soma das partes”, consideramos ser importante agirmos mais
directamente ao longo do nosso processo sobre o Todo, mas também sobre as Partes.
Sendo
uma área do Treinar que tanto prazer nos dá em operacionalizar, esperamos ter
oportunidade para concretizar esta nossa intenção na próxima época.
*Contextualização
Na quinta-feira anterior à J5 da divisão principal da AF Guarda, aceitámos o desafio de orientar a equipa principal do GD Foz Côa, naquela que foi a nossa primeira experiência no futebol sénior. A equipa vinha de um início algo atribulado, quer em termos de processo (um período pré-competitivo com bastantes ausências), quer em termos de resultado (uma 1V e 3D).
Uma equipa experiente, que variou entre os 18 e os 23 jogadores com alguns dos mais influentes acima dos 35 anos e com percursos muito heterogéneos, havendo desde o jogador internacional jovem por Portugal, ao jogador com menos de 10 jogos na principal divisão do distrito da Guarda.
Escusado será dizer que neste grupo, nenhum jogador era profissional. Pelo contrário, alguns jogadores nem sempre estavam disponíveis para o jogo e/ou treino. Aliado a esse constrangimento, muitos dos jogadores têm profissões muito desgastantes ao nível físico, numa zona geográfica onde a agricultura é uma das áreas com maior empregabilidade.
Importa ainda referir que numa zona cada vez mais desertificada, a equipa viu-se órfã de defesas-centrais (apenas um de raiz) e laterais-esquerdos (apenas um jogador tinha desempenhado anteriormente essas funções e já como “adaptação”).
Esta “escassez” teve também reflexo na equipa técnica, centrada apenas na pessoa do Treinador, acumulando todas as outras funções mais técnicas.
Para finalizar, é também importante salientar que o clube não possui equipa de juniores, que tão importante poderia ter sido para enriquecer este processo.
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