Na busca de um entendimento
mais profundo sobre uma metodologia de treino específica que enfatiza o treino
“mais” individual, já por duas vezes tivemos a oportunidade de estarmos
presentes nos “Youth Diplomas” promovidos pelo Coerver Coaching, em Portugal.
Se é verdade que na sua
génese o Coerver Coaching era demasiado analítico e descontextualizado, com as
“melhorias” que obteve com Hugo Vicente, essa metodologia tornou-se bem mais
adequada à complexidade que o jogo admite em si.
Contudo, algumas reflexões
de investigadores e/ou cronistas, têm indicado que o processo de aquisição de
skills técnicos segundo uma perspectiva mais individual, é fraco e desadequado.
Julgamos que essa ideia surge, em especial, quando neste “tipo” de treinos se
assiste a um reportório de exercícios onde o jogador está ecologicamente
isolado, com o seu foco atencional somente investido nele próprio, nos cones e
na bola.
Ou seja, se olharmos para o
processo de treino mais individualizado em que o sucesso da tarefa seja o de
conduzir bem a bola por entre um conjunto de cones, é natural que a
aprendizagem global do jogador se foque apenas e só na sua própria condução.
Neste caso, o sucesso da tarefa está completamente desconectado à interpretação
que o jogador tem sobre aquilo que o rodeia, não promovendo sobre ele a
necessidade de adaptação ao contexto de jogo – neste caso, colegas,
adversários, balizas...
Contudo, o processo de treino
que se orienta para o desenvolvimento das capacidades individuais não se resume
ao jogador contornar meia-dúzia de cones. Ele próprio se pode orientar por princípios,
etapas e objectivos que permitem ao jogador enquanto indivíduo ser mais forte quando
incorporado no colectivo.
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A experimentação de
comportamentos na relação individual jogador-bola por parte da criança, poderá
oferecer-lhe uma estimulação dos padrões motores básicos relacionados como seu
drible, passe ou remate, que o jogo formal demora mais a oferecer. Da mesma
forma, julgamos que só quando se respeita o mínimo de aleatoriedade que o jogo
acolhe e se adopta uma abordagem pedagógica não-linear é que o processo de
treino orientado para o indivíduo é eficaz.
Nem todos os treinadores de
formação têm ao ser dispor mini-Cristianos ou mini-Messis. Muitas crianças (e
cada vez mais) chegam aos clubes com uma literacia motora extremamente limitada,
implicando muitas vezes que se tomem estratégias de treino que se orientem para
um fragmentismo indesejado mas infelizmente necessário.
Como poderemos nós ensinar
uma criança realizar um passe, se ela nem sequer tem um controlo NeuroMotor
sobre o seu corpo que lhe permita diferenciar a parte interna ou externa do pé?
Como poderemos nós ensinar a recepção em contexto de jogo se para a criança a
recepção consiste em pisar a bola em andamento? Como podemos nós promover uma
boa relação com bola à criança, se ela nem sequer lhe acerta quando a quer
dominar, passar ou conduzir?
O mesmo se passa em jogadores
mais velhos que necessitem de desenvolver/aperfeiçoar determinados
comportamentos. Como poderá um avançado desenvolver o seu jogo aéreo se passa
uma semana de treinos sem rematar uma vez de cabeça? Como pode um extremo
desenvolver o seu 1v1 se passa uma semana de treinos sem ter de encarar os seus
adversários dessa maneira? Como podem os médios-centros desenvolver o seu passe
longo, se nos treinos são “obrigados” a jogar curto?
Estas nossas dúvidas,
tornam-se ainda mais evidentes se admitirmos que o processo de treino de muitos
clubes do interior se resume a dois treinos semanais, e onde apenas está
presente um treinador.
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A nossa resposta é não…
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