segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Futebol Clube do Porto e de Naija

Quando observamos o fenómeno do Futebol, um dos nossos maiores prazeres é tentar encontrar padrões que ajudem a entender melhor o mesmo. Muito recentemente aconteceu isso enquanto assistíamos ao jogo entre FC Porto e o Dynamo Kyiv a contar para a UEFA Youth League, quando verificámos que o jogador que ocupava o lugar 6 do clube português era o nigeriano Chidozie Awaziem.


No caso concreto até poderá ser uma mera coincidência, já que Awaziem até tem atuado pela equipa B do FC Porto a defesa central, deixando normalmente a posição 6 dos Sub19 para o capitão João Cardoso. A verdade é que a este escalão específico do FC Porto, nas suas últimas épocas, tem escolhido um determinado perfil de jogador para ocupar essa posição. Foi com Mikel Agu que tudo começou. Seguiu-se, Fidelis Irhene (já que Valentine Akpey não chegou a ser inscrito embora treinasse na equipa) e agora parece ser Chidozie Awaziem que poderá vir a ser opção para uma das posições mais cerebrais do futebol moderno.

Optando normalmente o FC Porto por adoptar na sua formação um modelo de jogo que privilegia a posse da bola e o domínio e o controlo sobre o adversário, seria interessante obter uma resposta por parte dos responsáveis do clube do porquê de optarem por recrutarem jogadores com determinado perfil táctico-técnico e sobretudo táctico-físico, tão específico, para a posição 6.

Fruto do mérito, prestígio e capacidade do FC Porto, quase a totalidade dos jovens jogadores do futebol de formação em Portugal gostaria de representar um clube de tamanha qualidade. Nessa condição, será que de todos os jogadores a disputar os diversos campeonatos nacionais de Sub19, formados em clubes nacionais, não haverá nenhum que seja suficientemente competente para jogar nessa equipa? Ou a qualidade existe mas não encaixa no perfil?    
Esta nossa dúvida parece-nos pertinente enquanto treinadores-formadores para entender melhor o nosso próprio trabalho, tendo em conta as decisões tomadas pelas equipas técnicas do FC Porto. Supondo nós que a escolha em prol dos jogadores nigerianos – curiosamente todos os jogadores citados são naturais da Nigéria – está relacionada com a competência dos mesmos tanto em valor real como em potencial, não deixa de ser importante que perguntemos “o que há na Nigéria que não há em Portugal?”

Julgamos nós que o FC Porto escolhe este “tipo” de jogadores sobretudo devido ao seu perfil táctico-físico. Comparativamente ao jovem jogador português, e consequência de uma maturação biológica mais precoce – e até mesmo de um retracto genético que exponencia as suas capacidades físicas, o jogador africano, tende em ser mais desenvolvido fisicamente, o que o ajuda a ser, em norma, mais rápido, intenso, forte no choque e no desarme, bastante agressivo – chega a ser intimidador, etc. Características, portanto, mais estabelecidas na sub-dimensão física do jogador. E fá-lo provavelmente, porque, neste escalão já existe uma necessidade “resultadista” que não acontece noutros escalões, onde por vezes e em momentos da época mais competitivas, estas características sejam mais “usadas”. Queremos acreditar que seja por estas razões, da ordem biológica do jogador, e não pela possibilidade de em Portugal não se conseguirem formar jogadores capazes de desempenhar a posição 6 no FC Porto. Embora reconheçamos que metodologicamente, o processo de treino do futebol de formação português, não privilegie tanto a sub-dimensão física como outros o fazem. E isso talvez seja uma razão para que nós, em Portugal, tenhamos Rubén’s Neves’s e outros países, como a Nigéria, não…


Como é óbvio, seria muito mais interessante que fosse um responsável do FC Porto a explicar-nos o porquê desta opção sobre Awoziem e companhia. Enquanto isso não acontece, resta-nos continuar a reflectir e a esperar que novos Rubén’s Neves’s apareçam.

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