Quando observamos o fenómeno
do Futebol, um dos nossos maiores prazeres é tentar encontrar padrões que
ajudem a entender melhor o mesmo. Muito recentemente aconteceu isso enquanto
assistíamos ao jogo entre FC Porto e o Dynamo Kyiv a contar para a UEFA Youth
League, quando verificámos que o jogador que ocupava o lugar 6 do clube
português era o nigeriano Chidozie Awaziem.
No caso concreto até poderá
ser uma mera coincidência, já que Awaziem até tem atuado pela equipa B do FC
Porto a defesa central, deixando normalmente a posição 6 dos Sub19 para o
capitão João Cardoso. A verdade é que a este escalão específico do FC Porto,
nas suas últimas épocas, tem escolhido um determinado perfil de jogador para
ocupar essa posição. Foi com Mikel Agu que tudo começou. Seguiu-se, Fidelis
Irhene (já que Valentine Akpey não chegou a ser inscrito embora treinasse na
equipa) e agora parece ser Chidozie Awaziem que poderá vir a ser opção para uma
das posições mais cerebrais do futebol moderno.
Optando normalmente o FC
Porto por adoptar na sua formação um modelo de jogo que privilegia a posse da
bola e o domínio e o controlo sobre o adversário, seria interessante obter uma
resposta por parte dos responsáveis do clube do porquê de optarem por
recrutarem jogadores com determinado perfil táctico-técnico e sobretudo
táctico-físico, tão específico, para a posição 6.
Fruto do mérito, prestígio e
capacidade do FC Porto, quase a totalidade dos jovens jogadores do futebol de
formação em Portugal gostaria de representar um clube de tamanha qualidade. Nessa
condição, será que de todos os jogadores a disputar os diversos campeonatos
nacionais de Sub19, formados em clubes nacionais, não haverá nenhum que seja
suficientemente competente para jogar nessa equipa? Ou a qualidade existe mas
não encaixa no perfil?
Esta nossa dúvida parece-nos
pertinente enquanto treinadores-formadores para entender melhor o nosso próprio
trabalho, tendo em conta as decisões tomadas pelas equipas técnicas do FC Porto.
Supondo nós que a escolha em prol dos jogadores nigerianos – curiosamente todos
os jogadores citados são naturais da Nigéria – está relacionada com a
competência dos mesmos tanto em valor real como em potencial, não deixa de ser
importante que perguntemos “o que há na Nigéria que não há em Portugal?”
Julgamos nós que o FC Porto
escolhe este “tipo” de jogadores sobretudo devido ao seu perfil táctico-físico.
Comparativamente ao jovem jogador português, e consequência de uma maturação
biológica mais precoce – e até mesmo de um retracto genético que exponencia as
suas capacidades físicas, o jogador africano, tende em ser mais desenvolvido
fisicamente, o que o ajuda a ser, em norma, mais rápido, intenso, forte no
choque e no desarme, bastante agressivo – chega a ser intimidador, etc. Características,
portanto, mais estabelecidas na sub-dimensão física do jogador. E fá-lo
provavelmente, porque, neste escalão já existe uma necessidade “resultadista” que
não acontece noutros escalões, onde por vezes e em momentos da época mais competitivas,
estas características sejam mais “usadas”. Queremos acreditar que seja por
estas razões, da ordem biológica do jogador, e não pela possibilidade de em
Portugal não se conseguirem formar jogadores capazes de desempenhar a posição 6
no FC Porto. Embora reconheçamos que metodologicamente, o processo de treino do
futebol de formação português, não privilegie tanto a sub-dimensão física como
outros o fazem. E isso talvez seja uma razão para que nós, em Portugal,
tenhamos Rubén’s Neves’s e outros países, como a Nigéria, não…
Como é óbvio, seria muito
mais interessante que fosse um responsável do FC Porto a explicar-nos o porquê
desta opção sobre Awoziem e companhia. Enquanto isso não acontece, resta-nos continuar
a reflectir e a esperar que novos Rubén’s Neves’s apareçam.
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