Semanas
antes do Euro’2016, fizemos a seguinte pergunta: “e se existisse uma competição
europeia de selecções onde apenas se pudessem levar os jogadores nacionais a
actuar no próprio país?”
Em
preparação para o Euro’2020, voltámos a querer entrar na “brincadeira” e
voltámos a fazer a selecção dos nossos 23. Há 5 anos falhámos com alguns nomes,
acertámos com outros e até repetimos escolhas que continuam a preencher as
nossas medidas enquanto Treinadores.
Horas
antes da convocatória final de Fernando Santos para o Euro, eis a nossa escolha
segundo o nosso critério:
Beto – a experiência de quem já defendeu muitas balizas por essa Europa fora. O facto de aos 39 anos, ter passado da Segunda para a Primeira Liga, mostra que a informação que vem no cartão de cidadão pouco importa quando se trata de avaliar a competência de um profissional. Aliado aos seus atributos técnicos está uma personalidade muito carismática e apreciada por grande parte dos seus pares. O papel que poderá ter como tutor junto de guarda-redes mais novos, é algo que também apreciamos bastante e também por aí justificativo para esta nossa convocatória.
Diogo
Costa – não é fácil escolher um suplente. A nossa sorte é que vamos tendo oportunidade
de o ir vendo em acção no Porto, mas sobretudo na selecção Sub21. Parece-nos,
sobretudo um guarda-redes de equipa grande, sempre muito comunicativo e muito
concentrado tacticamente. Ou seja, faz muito do seu trabalho como guarda-redes
sem ter necessariamente de defender. Já quando o tem de fazer, parece ter de
trabalhar um pouco mais o seu preenchimento da baliza, ficando por vezes a
sensação que poderia ter feito um pouco melhor.
Bruno
Varela – dos guarda-redes mais influentes da época. Ou muito nos enganamos ou o
Vitória de Guimarães poderia ter tido uma época ainda mais conturbada caso
Bruno Varela não se tivesse apresentado com tanta qualidade. Num sector tão
instável, foi o guarda-redes a salvar muitas vezes a equipa, em especial nos
jogos em que o clube apresentou os resultados mais positivos. É verdade que poderia
ter sido ainda melhor (como toda a equipa vitoriana) mas dentro de um
descalabro total, foi dos que mais se salvou.
Nuno
Mendes - talvez, dos melhores jogadores do Mundo nascido em 2002. Tem de tudo,
e tudo de bom. Não é fácil apontar algo mais negativo ou menos bom ao jovem
lateral leonino. Mesmo assim, e para além da sua tenra idade, admitimos que
poderá vir a ser ainda melhor quando vier a dar o "salto" para um
clube ainda melhor a nível europeu. Clube esse que com certeza, será do Top10
do Futebol europeu.
Rúben
Vinagre - ataca e defende como um extremo, o que para defesa-lateral não é
muito positivo. Após uma leitura mais racional de alguns golos sofridos pelo
Famalicão, verificámos que o seu posicionamento deixou algo a desejar. Já
quando está em processo ofensivo, é um dos defesas-esquerdos que mais promete
nessa Europa fora.
Pepe
– categoria pura! Não é a idade que o limita. Pelo contrário, poucos jogadores
devem reconhecer as suas limitações tão bem como o Pepe. Cada vez mais preciso
na dimensão Táctica do jogo, apostando na antecipação e num correcto
posicionamento para corrigir uma eventual perda de velocidade e agilidade fruto
dos seus 38 anos. Sempre agressivo, parece ter perdido alguma imprudência que o
caracterizou ao longo dos anos. Quem jogar ao seu lado, tem tudo para crescer e
se tornar também ele num central d topo.
Gonçalo
Inácio – uma das surpresas da época. Admitimos que não conhecíamos este miúdo,
e que bela surpresa se mostrou este jovem defesa-central. Numa linha bastante
experiente, com Coates e Feddal, Gonçalo Inácio conquistou a titularidade como
central do lado direito, corporalizando uma das palavras mais importantes do
Futebol: eficácia. Sem ser muito exuberante, passando muitas vezes despercebido
em relação a Coates e Feddal, Inácio não precisou de muitos jogos para ganhar o
seu espaço e acabar como titular indiscutível dos campeões portugueses.
Fábio
Cardoso – um dos casos mais peculiares da nossa liga. Bastante elogiado por
muitos colegas de profissão, há algum tempo que se lhe antecipa um “salto” para
outros voos. Curiosamente, acabou a época sem ter que o fazer, visto ter
ajudado e muitas vezes capitaneado o Santa Clara para a 6º posição, alcançando
a vaga da nova Conference League. Defesa a 3 (5) ou defesa a 4, Fábio Cardoso é
um dos defesa-centrais tacticamente mais competentes do campeonato, tentando
corrigir dessa forma, algumas debilidades mais individuais ao nível da
agilidade e da mudança de velocidade.
Diogo
Leite – está a tardar a confirmar todo o potencial que se lhe antecipava. E talvez
por isso hesitámos tanto em inseri-lo na convocatória. Mas o facto de ser
esquerdino, permite-lhe ganhar terreno perante muitos outros concorrentes. Pode
parecer um preciosismo mas a verdade é que valorizamos bastante a relação do pé
dominante com o espaço que os jogadores ocupam no campo. Diogo Leite parece
estar muito preso à sua relação com Diogo Queirós, onde ambos se transformam para
muito melhor, complementando-se de uma forma única. Contudo, a verdade é que
quando jogam separados a qualidade acaba por ficar mais condicionada.
Ricardo
Esgaio – está-se a tornar cada vez mais num jogador bastante completo. Daquelas
adaptações de extremo para lateral que correram muito bem. Nota-se que é um
jogador que tem “escola” e que ao longo dos anos tem aprimorado e corrigido
algumas debilidades no seu jogo. Parece-nos mais competente numa defesa a 3 (ou
5), podendo oferecer mais ao jogo com essa estrutura, mas mesmo numa defesa a
4, não deixa de cumprir com as suas tarefas defensivas. O facto de ser um dos
capitães do Braga, mostra a importância que o jogador também tem dentro do
balneário.
Fernando
Fonseca – parece que tem pilhas que nunca mais acabam. Velocidade, agilidade,
agressividade, tem aquilo que um bom defesa direito deve ter, mostrando que
quando chegou a ser apontado à Juventus, o feito não foi por acaso. A esses
atributos mais “físicos” juntam-se outros que lhe permitem antecipar qualidade
num jogar mais apoiado e posicional. Valorizou-se bastante ao longo da boa
época do Paços, esperando-se contudo, que venha a melhorar ainda mais na
próxima época, em especial na ligação com o sector mais ofensivo.
Palhinha
– considerado por muitos o melhor jogador do campeonato, Palhinha é daqueles
médios que qualquer treinador (arriscamo-nos a dizer) do Futebol europeu
gostaria de ter no seu plantel. Não lhe chegava ser muito competente a nível
táctico-técnico, Palhinha é um verdadeiro “Bicho” ocupando o meio-campo de uma
forma brutal como um gigante que é. Parece estar sempre comprometido com o jogo
a 110%, tentando corrigir potencias incorrecções posicionais dos seus colegas. Recorde-se
que joga normalmente apenas com mais um colega no eixo do meio-campo leonino,
mas isso, nem se chega a notar, tal é a sua competência em preencher todo o
meio-campo.
Pepê
– contratação importantíssima para o Famalicão, mas em que estranhámos a incapacidade
que teve em se assumir no Olympiakos. Felizmente para o campeonato português,
regressou e logo para ser um dos melhores jogadores da segunda volta da Liga.
Sempre muito cerebral, poderá não ter a “intensidade” ou “agressividade” que
muitos treinadores gostam de ver para a posição mais recuada do meio-campo –
não é por acaso que temos tão poucos jogadores portugueses a actuar nessa
posição em Portugal. Pensa, mas também, executa sempre muito bem, saindo a bola
sempre muito “redondinha” dos seus pés. Deixou muita água na boca para a
próxima época.
Sérgio
Oliveira - quem o viu e quem o vê. Quanto a nós, das maiores evoluções do
Futebol português nos últimos anos. Com um estilo muito próprio e sem ser um
jogador muito exuberante, é extremamente competente a nível táctico,
compensando dessa maneira alguma falta de pujança "física" tão
valorizada por Sérgio Conceição. Já a nível técnico, atingiu um nível que o
coloca como um dos melhores médios-centro do Futebol europeu.
João
Mário – tornou-se um jogador diferente daquele que o conhecemos quando se
assumiu no Sporting. Mesmo ao longo da época não teve a consistência que a sua
grandeza se lhe exigia. Fez jogos absolutamente deliciosos, sempre com a
conquista de espaços como referência, fosse com bola através do passe, fosse
sem bola à procura de a receber. A exigência de um meio-campo a dois, talvez
tenha exigido dele algo que não estaria preparado para assumir com tanta
disponibilidade, depois de anos em que não foi escolha indiscutível no seu
clube. Por vezes parecia mesmo algo envergonhado e alienado do jogo, mas isso
era “só” a sua concentração máxima como grande médio que é.
Daniel
Bragança - a suplesse em forma de jogador de Futebol. Digam que funções querem
que ele desempenhe no meio-campo que ele as fará com superior qualidade -
qualidade essa também muito dependente de quem tiver ao seu lado, como já
escrevemos aqui no blog. Dos jogadores mais competentes no plano
táctico-técnico que Portugal tem ao seu dispor. Joga, mas também faz jogar. Há
quem diga que lhe falta isto e aquilo, em especial nas capacidades menos
cerebrais do Jogo. Mas o que ele tem, têm-no de muito bom!Fábio Vieira -
requinte e elegância, são duas das melhores qualidades que definem este miúdo.
Sem "perfil" para ter um papel constante no FC Porto, deverá, quanto
a nós, procurar uma equipa que apresente um outro jogar, mais propenso ao seu
jogo mais técnico e cerebral. O Porto encaixaria muito dinheiro, e ele ganharia
uma importância maior no panorama do Futebol nacional.
Pote
– parece que não tem nada de especial. Nem tão pouco é fácil defini-lo quanto
ao conceito de “posição” e de “função”. A verdade é que foi campeão e o melhor
marcador do campeonato. Este antigo gordinho transmontano fez-se um verdadeiro
jogador, com características muito próprias e um talento enorme para vir a ser
uma peça importantíssima para a história do Sporting. Cerca de 25 anos depois,
voltámos a ter um “Melhor Marcador” português, bastando ver o último jogo do
campeonato para conhecer melhor o faro, inteligência e leitura que este médio
e/ou avançado tem.
Ricardo
Horta – dos jogadores mais subvalorizados (do mundo?) do Futebol. Lamentamos
muito como ainda não conseguiu ter o seu espaço junto de Fernando Santos, até
quando se apresentava numa “forma” única em comparação com outros compatriotas.
Lá na frente consegue apresentar qualidade a jogar por dentro, por forma, mais
como médio, mais como avançado. Peçam-lhe o que quiserem que ele cumpre com
muita irreverência e competência. Por vezes vamos longe à procura de Talento,
com jogadores desta qualidade aqui tão perto. Dos nossos preferidos!
Nuno
Santos – tem crescido degrau a degrau. As duas roturas de ligamentos que sofreu
há anos atrás faziam crer que dificilmente conseguiria alcançar todo o
potencial que se lhe previa, primeiro no Porto e depois no Benfica.
Curiosamente alcançou a glória num terceiro “grande”, com um papel mais ofensivo
do que aquele que mostrou em Rio Ave. Agressividade e objectividade, são as
suas melhores armas para atacar a profundidade do ataque leonino, e como isso
foi importante em certos jogos do campeonato!
Rafa
Silva – uma carreira de altos e baixos, fruto de uma inconsistência que persegue
o seu Futebol, tal como as constantes mudanças de velocidade que imprime no seu
jogo. O melhor Rafa Silva que já tivemos oportunidade de ver, é sem dúvida um
jogador diferenciado. Contudo, o pior Rafa Silva, é um jogador que roça o
mediano, com um poder de finalização muito aquém do esperado. Como optimistas,
preferimos o primeiro e assumiríamos a sua convocatória.
Paulinho
– talvez o jogador mais “bipolar” da convocatória. Desde logo pelas suas características
únicas, de ser um ponta-de-lança bastante altruísta que mais do que jogar, faz
jogar os outros. A sua especificidade é algo de tão belo como complexo, que
exige à equipa, mas sobretudo ao Treinador, saber “espremê-lo até ao tutano”
para ele ser capaz de oferecer à equipa tudo o que de melhor sabe fazer.
Acreditamos que mesmo já não sendo nenhum jovem, tem capacidade para crescer
ainda mais e limar algumas arestas que o fazem ainda ser “odiado” por alguns
adeptos. Mesmo os sportinguistas.
Tiago Tomás – a flecha em forma de jogador de futebol: rápido, esguio e objectivo, julgamos que é a melhor forma para caracterizar o futebol de Tiago Tomás. Na nossa opinião, falta-lhe curiosamente a capacidade de carregar no “pause” para fugir um pouco ao seu estilo demasiadamente vertiginoso, já que acreditamos que o Futebol não deva ser sempre jogado a “mil à hora” como ele gostaria. Também por todo o crescimento que se lhe prevê, acreditamos que tem um potencial enorme para vir a ser um jogador de topo. Mas também acreditamos que tanto ele como quem o rodeia, terá de olhar para essa dimensão potencial, e não querer queimar etapas que o queiram colocar aonde ele (ainda) não está.
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