Acreditamos que quando o sucesso
aparece não é aleatório. Existem bases que o sustentam e que potenciam o seu
aparecimento. O mesmo poderá acontecer com o fracasso. Quando as bases são fracas, ou de qualidade questionável,
o fracasso tende a aparecer e a mostrar-se. A nosso ver, assim está o futebol
da Holanda, que entrou numa espiral decadente depois do 3º lugar no Mundial
2014.
Enquanto tivemos o nosso primeiro
contacto com o futebol internacional, Van Gaal conquistava títulos com o Ajax.
As selecções holandesas encantavam em qualquer competição que entrassem, com o
seu modelo de jogo que primava pela posse dinâmica, criativa e eficaz (mais a
atacar). Jogadores como Van der Saar, os irmãos De Boer, Davids, Bergkamp,
Overmars, Kluivert (e por aí adiante) eram verdadeiros ídolos para quem nasceu
no final dos anos 80.
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Passando para a selecção
nacional, a “Laranja Mecânica” ou não tem sumo, ou está avariada. Jogadores
como Van Persie, Huntelaar, Van der Vaart, Nigel de Jong, e Kuyt (por renuncia
própria) já não contam para Blind. Outros a quem muito se esperava nos seus
primeiros anos de profissional como Leroy Fer, Van der Wiel, Jermaine Lens,
Babel, Emanuelson, Jonathan de Guzmán, e mais recentemente Depay, Clasie e
Vilhena não conseguiram ou não conseguem atingir o título de inquestionáveis.
Para o empate 1x1 contra a
Suécia, em jogo a contar para a qualificação para o Mundial, o seleccionador
Danny Blind realizou as seguintes escolhas para o XI inicial:
GR – Zoet / 25 anos / PSV
Eindhoven / 6 int. – desde a retirada de Van der Saar que já foram várias as
escolhas para esta delicada posição, manifestando toda a dificuldade que os
holandeses têm tido na escolha de um guarda-redes de referência. Já tentaram
Stekelenburg, Vermeer, Krul, Vorm, Cillessen, e até agora nada…
DD – Janmaat / 27 anos / Watford
/ 28 int. – não admira que seja normalmente o dono da posição. Com bastante
qualidade é um defesa direito bastante interessante que se encaixa no perfil
dinâmico e ofensivo da Holanda. Tirou o lugar a Van der Wiel.
DCD – Bruma / 24 anos /
Wolfsburgo / 21 int. – muito promissor
enquanto jovem, poderá vir a ser um pilar importantíssimo no futuro do futebol
holandês, já que está a manifestar a qualidade que prometeu.
DCE – van Dijk / 25 anos /
Southampton / 8 int. – algo frágil no princípio da sua era britânica, o
possante van Dijk faz uma dupla interessante com José Fonte. Duro de rins ainda
não é indiscutível na selecção por alguma razão.
DE – Blind / 26 anos / Man.
United / 38 int. – é daqueles jogadores que aprendeu em casa (com o seu pai e
actual seleccionador) e no clube (Ajax) como poucos tiveram essa chance. Bastante
competente em diferentes posições e funções, Blind ainda não conseguiu, no
entanto, alcançar o estatuto de jogador de nível mundial – talvez a própria
polivalência o prejudique a ser uma referência.
PD – Strootman / 26 anos / Roma /
30 int. – com muita infelicidade à mistura, fruto de duas lesões gravíssimas no
joelho, Strootman ainda não conseguiu mostrar fora da Holanda a sua qualidade.
Possante, técnico, inteligente, precisa de jogos nas pernas para voltar a ser o
que era no PSV.
MID – Klaassen / 23 anos / Ajax /
7 int. – capitão do Ajax está ainda à procura de se tornar num indiscutível no
XI holandês. Até no clube (mesmo com um registo de 8 golos em 8 jogos), ele não
é o médio ofensivo que seja capaz de encher um estádio com os seus passes de
ruptura, arrancadas ou golos que se pedem a um “10”. Tem tido dificuldades em
evoluir as suas competências sendo um jogador que hoje é muito parecido aquele
que apareceu pela primeira vez no futebol profissional.
MIE – Wijnaldum / 25 anos /
Liverpool / 32 int. – com potencial para ser um dos melhores médios do mundo
nos próximos tempos, Wijnaldum pegou de estaca no Liverpool com um arranque
fantástico. Perdeu algum virtuosismo do seu início de carreira, ganhou
maturidade táctica e personalidade defensiva, é dos que poderá contrariar a
tendência de performances negativas da sua selecção.
EE – Sneijeder / 30 anos /
Galatasaray / 123 int. – um dos melhores jogadores holandeses da última década
não precisa de grandes referências. Aquele que na nossa opinião foi muito cedo
“esconder-se” para o campeonato turco, é talvez o jogador mais decisivo no
Galatasaray e na selecção, mesmo começando a entrar numa fase descendente da
sua carreira.
ED – Quincy Promes / 24 anos /
Spartak Moscow / 14 int. – nada contra o
jogador, que até tem qualidades interessantes, fazendo jus à bela escola
holandesa de extremos rápidos, eficazes no 1v1, e finalizadores. Contudo, é ainda
um jogador desconhecido por alguns, por estar escondido no Spartak de Moscovo,
faltando-lhe algum “calo” de futebol ainda mais top.
PL – Vincent Janssen / 22 anos /
Tottenham / 7 int. – com uma ascensão meteórica no futebol profissional (embora
tenha escola do Feyenoord), Janssen tentará provar numa equipa de top o que
mostrou no modesto Almere City e depois no AZ Alkmaar – marcar muitos golos.
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No entanto, o que nos preocupa
ainda mais é quando passamos para o lado mais colectivo do jogo. Mesmo com
estas potenciais substituições, acreditamos que o modelo de jogo da Holanda
perdeu a fantasia, a criatividade, a competência e o encanto de outrora. Tanto
a selecção principal como as suas principais equipas assentam o seu jogar numa
posse muitas vezes aborrecida pela sua falta de objectividade e muito
dependente dos desequilíbrios provocados no 1v1 dos extremos. A defender também
não mostram muita agressividade, estando os seus jogadores muito mais
confortáveis no seu momento ofensivo.
Depois de ter falhado o Euro
2016, com uma fase de qualificação desastrosa, muitas dúvidas caem sobre a
capacidade da Holanda recuperar a sua magia. E pela exibição no seu primeiro
jogo de qualificação não achamos que vá ser um período fácil…
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