Poucas nações
africanas contam com uma geração de novos talentos tão interessante como o
Burkina Faso.
Jogadores como o
elegante defesa-central Edmond Tapsboba (Bayer Leverkusen), o goleador Lassina
Traoré (Ajax) e o lateral Issa Kaboré (Man. City) são talvez as maiores
promessas dos Les Étalons mas não são
as únicas esperanças deste país africano.
Outros como o jovem
médio-ofensivo Salifou Diarrassouba (St. Gallen), o polivalente Abou Ouatttara
(Vitória Guimarães), o extremo Hassina Bandé (Ajax) e o também extremo Abdoul
Tapsoba (Standard Liège) estão na calha para virem a ser boas referências no
Futebol local.
Jovens talentos que se
juntando aos ainda jovens jogadores Bertrand Traoré (Aston Villa) e Hervé Koffi
(Royal Mouscron), têm tudo para vir a serem uma selecção muito interessante a
curto prazo.
Contudo, e embora
reconhecendo que o futebol africano é rico em “diamantes brutos”, também é
verdade que muitos jovens se vêm a mostrar uns autênticos foguetes molhados e
por isso é sempre difícil criar expectativas em relação às selecções deste
continente.
Infelizmente para Les Étalons, o Burkina Faso é um bom
exemplo disso, quando recordamos a geração Sub17 presente no Mundial de 2011
sob comando do Transmontano Rui Vieira.
Para entendermos
melhor a realidade do Futebol jovem em África, particularmente no Burkina Faso,
lançámos o desafio precisamente ao Mister Rui Vieira, que teve a amabilidade de
nos responder a 5 perguntas:
- Quando
se fazem rankings de jovens promessas do Futebol Mundial, aparecem sempre
muitos jogadores africanos ou de origem africana nessas listas. O que faz
deles assim tão especiais?
R.V.: O que faz deles
especiais é uma aptidão natural falando a parte técnica, desenvolvida
essencialmente no futebol de rua , geralmente em terra batida. (na Europa o
futebol de rua desapareceu).
E também uma vontade
indomável de vencer na vida, via
futebol.
O El Dourado no
futebol africano é a Europa.
Então essencialmente
esses dois factores fazem com que muito novos tenham uma qualidade
extraordinária tanto técnica como fisicamente.
- Porque
é que assistimos a uma dificuldade tão grande na passagem do jovem jogador
africano para as exigências do Futebol profissional?
R.V.: Essa dificuldade
da passagem do jogador jovem africano, para o futebol profissional, tem 2 vertentes essenciais.
A primeira é a
dificuldade do jogador africano se adaptar ao futebol super táctico europeu,
porque em África privilegia-se um futebol meio anárquico, com rasgos de
individualidade.
Os jogadores
"africanos" nascidos na Europa, já não têm essa dificuldade.
O outro factor a meu
ver, é o deslumbramento.
Nunca foram educados
para lidar com uma vida cheia de oportunidades e facilidades que há na Europa.
Esse deslumbramento é
o pior que pode acontecer.
- Tal
como a geração de Sub17 de 2007 da Nigéria e do Gana, por exemplo, repletas
de qualidade, também o Burkina Faso de 2011 não viu nenhum jogador atingir
um patamar competitivo superior. Alguma razão em especial para isso ter
acontecido a esse grupo de jogadores?
R.V.: Estão referidas na
resposta à pergunta feita anteriormente.
Na minha experiência,
só o Bertrand Traoré conseguiu um patamar mais alto.
De resto nenhum
conseguiu sequer entrar numa equipa de segunda liga europeia.
E fomos campeões
africanos.
- Porque
é que há países em que os jogadores africanos têm mais facilidade em se
afirmar do que outros? Portugal tem sido particularmente duro com alguns
como: Rabiu Ibrahim (apontado outrora como um dos futuros melhores
jogadores do mundo), Moreto Cassamá (quando era Sub17, foi bastante
cobiçado pelo Tottenham e Manchester City), Ishmael Yartey (apelidado de
Ryan Giggs ganês); no entanto nunca chegaram a atingir o patamar que se
antecipava…
R.V.: Na minha perspectiva os países que melhor
entendem os jovens africanos são a França, Inglaterra, Holanda.
Talvez porque as comunidades africanas nesses países
sejam muito mais integradoras, devido à
sua grande proporção nesses países.
Então eles têm um suporte diferente dos outros países.
5.
O que é que é preciso acontecer para vermos mais Talentos africanos nos
grandes palcos europeus num futuro próximo?
R.V.: Na minha perspectiva tem que haver
um acompanhamento maior e uma intervenção psicológica de proximidade.
O grande problema é a procura do lucro
fácil e não querem gastar tempo com essas medidas.
Mas estou em crer que resultaria.