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Dos 6 primeiros classificados em Portugal, Sporting CP, SC Braga e Rio Ave, já
utilizaram neste período uma defesa com três defesas-centrais, apesar das
diferentes nuances estratégicas e dinâmicas estruturais de cada um.
A
partir da observação de alguns jogos temos tirado alguns apontamentos acerca de
pontos mais positivos ou negativos que essas dinâmicas posicionais nos têm mostrado.
Começamos
pelo que constatamos de positivo.
1. boa
associação numa primeira fase de construção, fruto de uma superioridade
numérica em zonas mais recuadas do relvado. Quem procura uma construção através
de passes mais curtos e apoiados, parece estar a conseguir ter uma maior
facilidade neste sub-momento do jogo, utilizando muitas vezes 5 jogadores + o
guarda-redes para “sair a jogar”;
2. variação
rápida e eficaz do centro de jogo, de um corredor para o outro, devido a uma
aproximação mais curta das coberturas ofensivas. Por estarem em grande parte
das vezes três jogadores atrás da linha da bola, permite através de uma forma
segura e eficaz, que a bola passe de um corredor lateral para o outro com
relativa facilidade;
3. utilização
do apoio frontal, facilitando a dinâmica do “terceiro-homem” em espaços mais
adiantados, devido ao deslocamento do extremo para terrenos mais interiores. A
largura é muitas vezes assegurada pelo ala, convidando o extremo a ir mais para
dentro.
Contudo,
nem tudo tem sido manifestado da melhor maneira.
1. dificuldades
na ligação associativa entre o sector intermédio e o sector atacante,
principalmente quando as equipas se encontram em posse em terrenos mais
adiantados e o espaço para jogar é bastante mais reduzido, com o aumento do
número de adversários;
2. dificuldade
em atacar "por fora", por muitas vezes serem utilizados jogadores
nestes espaços com mais dificuldades no momento ofensivo. Ou seja, como muitas
vezes os alas são escolhidos predominantemente devido às suas competências
defensivas, mostram alguma dificuldade no momento ofensivo, consequência de uma
maior debilidade em acções como o drible, a finta, o último passe, etc.;
3. falta
de complementaridade das duplas, seja a de duplo-pivot em meio-campo a dois; ou
dupla de avançados, em meio-campo a três. Por ser uma estrutura que coloca
muitas vezes estas duplas em inferioridade numérica, exige tacticamente muito
dos jogadores, obrigando-os a serem bem mais fortes no seu todo do que a soma
das suas partes.
Embora,
sabendo que não deveríamos desassociar os momentos das transições, não o
fizemos por opção própria neste texto, esperando reflectir sobre isso numa
próxima vez…
Resumindo,
e vendo jogar estas equipas com esta estrutura, verificamos que tem tudo para
ter vindo para ficar.
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