Na presente época desportiva, isso
está a acontecer com Cesc Fàbregas. Com um papel diminuto na estratégia de
Sarri, os holofotes desapareceram daquele que foi um dos ícones de uma geração
espanhola que reinventou o Futebol, e que desde 2004/2005 não faz menos de 30
jogos numa época, ao mais alto nível.
Nascido em 87, Fàbregas é um dos
craques da classe vintage de La Masia, a mesma de Piqué e Messi. Quis Wenger
que com apenas 17 anos, época de 2003/2004, Fàbregas iniciasse uma bela
história de amor com a Premier League.
Embora só agora tornado oficial, a
31 de Dezembro de 2016 e 293 jogos depois da sua estreia para o campeonato, o
médio-centro espanhol atingiu o record de menos jogos necessários para realizar
100 assistências para golo na Premier League.
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Antes de mais, importa que referir
que olhamos para Fàbregas como um dos melhores jogadores do Mundo a Passar a
bola aos seus colegas. E quando falamos em Passar, escrevemo-lo com letras
maiúsculas de propósito porque para nós o Passe não se mede só pela qualidade
da sua direcção.
Aquilo que de melhor vemos neste
que é um dos melhores é o seguinte:
·
O domínio perfeito daquilo que são as trajectórias da
bola – quanto a nós é uma das capacidades mais negligenciadas por quem procura
qualidade num jogador. Contudo, a competência do domínio da trajectória antes e
após a saída da bola do jogador é uma qualidade imprescindível para quem bate
records no topo do Alto Rendimento. Fàbregas teria de fazê-lo e isso é visível
ao longo de muitas das suas assistências em que usa bolas cortadas com o seu pé
dominante para um lado ou para o outro; trajectórias aéreas mais directas ou
mais altas; recurso a um pé ou ao outro para aplicar diferentes direcções; etc.
Mais do que ter um conhecimento alargado sobre o Jogo que lhe permite fazer
essa análise, Fàbregas tem depois a qualidade suficiente para ser eficaz na
manifestação prática das mesmas.
·
O controlo exímio da relação entre o tempo e o espaço
– Fàbregas manifesta uma qualidade soberba naquilo que é a sua interpretação em
relação ao Espaço, nomeadamente àquele que possibilita ao seu colega ficar em
posição de golo. Mais do que ele próprio estar no sítio correcto – o que grande
parte das vezes parece acontecer, ele precisa é de fazer chegar a bola a
determinado espaço específico. Contudo, o controlo do Espaço não chega por si
só, precisa do devido ajuste em relação ao Tempo da acção. Por vezes o espanhol
tem de antecipar, outras tardar e outras até continuar determinada linha
temporal de circunstâncias do contexto que lhe permitam realizar o Passe para
golo. Esta qualidade nota-se ainda mais na cobrança de bolas paradas, já que é
através de cantos e livres indirectos que Fàbregas tantas vezes assiste;
·
A extraordinária Cultura de Jogo – sobretudo no
processo ofensivo, o nº 4 do Chelsea tem um posicionamento fantástico naqueles
que são os espaços que ligam meio-campo e ataque. Quer naquilo que é a
colocação dos seus apoios, quer na sua visão periférica estática e dinâmica
(consideramos aqui o seu constante mexer de pescoço), quer na interpretação da
informação circunstancial do jogo, ou seja, aquilo que são as condicionantes
que o levam a tomar determinada decisão. Parece haver um processamento quase
cibernético daquilo que são o número e a velocidade de soluções que ele pode oferecer à sua equipa para a resolução
de determinado problema. Tal é ainda mais potenciado pelo facto do jogador ter
tido a necessidade de se ajustar ao longo da sua carreira a Jogares bem
distintos naquilo que é a sua matriz ideológica. Neste particular, acreditamos
que a Escola que teve em La Masia foi bastante importante para a sua construção
enquanto jogador tão culto e flexível (comportamentalmente falando).
Ainda estamos no início da época, é
certo. Mas esperamos que esta ausência de referência a esta recordista mundial,
seja apenas um lapso…
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