No
passado domingo, Portugal venceu a Letónia por 4x1. Num jogo que parecia estar
complicado, Quaresma entrou aos 65min a tempo de ser, para nós, o “homem do
jogo”.
Muitos
treinadores, em especial na formação, estão tão preocupados com basculações,
coberturas e diagonais que depois se esquecem de treinar/ensinar comportamentos
mais individuais.
Consideramos
importante que no processo de treino e ensino/aprendizagem se valorize o lado
estratégico do jogo, a dimensão mais colectiva que permite aos jogadores
jogarem segundo um modelo comum. No entanto, consideramos também que os
jogadores devem aprender e/ou desenvolver paralelamente no seu treino, as suas
habilidades motoras mais individuais.
Com
um posicionamento largo, e com uma técnica de top mundial, Quaresma conseguiu
concretizar em assistência para golo os cruzamentos que foi fazendo. Foram dele
os passes para os golos de William Carvalho e o segundo de Cristiano Ronaldo.
Enquanto
este último, por exemplo, ao longo da partida cruzava a bola para a grande área
à espera que algum colega lhe acertasse e a colocasse na baliza, sem que com
isso existisse uma preocupação posicional dos seus colegas e das suas
movimentações, ou seja, sem qualquer critério, Quaresma fazia precisamente o oposto.
Para ele, o cruzamento é uma forma de passar a bola aos seus colegas, podendo
ser executado das mais diversas formas – sendo a sua trivela a mais mediática.
Para Quaresma, o cruzamento está carregado de intencionalidade e de propósito
para um fim, sendo tudo menos aleatório e fortuito.
A
nossa inquietação surge pelo facto de não vermos jogadores de top mundial com
essa habilidade de interpretar os seus recursos técnicos, no caso os cruzamentos.
Comparando Quaresma a CR7, o “Mustang” deu-lhe “vinte a zero” neste capítulo
específico e a sua exibição deveria servir como uma excelente lição daquilo que
deve ser um cruzamento: decisão, direcção, força, trajectória… tudo deve ser
contemplado! E Quaresma fê-lo.
Com
a sua performance e com as suas assistências, Ricardo Quaresma fez-nos pensar
naquilo que deve ser mais vezes o treino. Mais preocupação com comportamentos
menos complexos, mais individuais, mas tão ou mais importantes que as tais “basculações,
coberturas e diagonais”…