O
treinador Jorge Silas foi apresentado no passado dia 19 de Janeiro como novo
treinador do histórico Belenenses.
Não
somos do tempo em que o clube era um colosso nacional, mas crescemos a ver este
clube repleto de jogadores interessantes. O próprio Silas foi um deles. Outros
haviam como Tuck, Neca, Antchouet, Marco Paulo, Zé Pedro, Ruben Amorim, Rolando
e André Almeida.
Desde
logo o Silas, na sua apresentação, manifestou um discurso de quem pensa em
grande, é ambicioso e tem paixão pelo clube por já ter passado alguns anos. E
acreditamos que não o fez só da boca para fora, já que logo no dia a seguir
conseguiu que o Belenenses empatasse com o Marítimo nos Barreiros.
E
ao contrário do que muitas vezes acontece, houve coerência nas palavras de
Silas com aquilo que o Belenenses manifestou com o Benfica.
Ficamos
extraordinariamente encantados com a proposta do Jogar desta equipa. Fixação
pela posse através do passe, com criação de linhas de passe constantes por
parte dos colegas do portador da bola, crença na colectivização do jogo que foi
desde o guarda-redes ao ponta-de-lança, transições em segurança para
consequente valorização da bola, dinâmicas de espaço muito bem equilibradas e
preparadas para possível transição defensiva e escalonamentos de coberturas
muito bem distribuído na organização defensiva. E toda esta eficácia contra o
tetracampeão português para valorizar ainda mais o feito de Silas!
Contudo,
mais do que a tão romântica ideia de jogo, foi a sua concretização em tão curto
espaço de tempo! Foi precisamente este hiato tão curto entre a sua apresentação
e o jogo contra o Benfica que nos deixou estupefactos com aquilo que aconteceu.
Por
aqui já falámos naquilo que são os Hábitos. Mas a transformação seja
táctico-técnica ou emocional dos Hábitos operacionalizados do Domingos
Paciência para os de Silas deixam qualquer especialista em Neurociências de
boca aberta!
Ter
a Ideia de querer jogar da maneira como jogou é uma coisa. Fazê-lo é outra
totalmente diferente. E ou muito nos enganamos, ou o Treino não teve muito de
escadas de coordenação, estacas e barreiras. Teve sim muitos contextos de
propensão para que toda essa Ideia Macro fosse possível de se manifestar.
No
entanto, apreciamos ainda mais o trabalho do Silas por ele ter conseguido que
os seus jogadores acreditassem na sua ideia com uma crença, uma paixão e uma
emoção tão grandes quanto aquela que mostraram no Jogo. Pois ver sair o
primeiro “chutão” aos 90 e tal minutos contra um grande é um feito para poucas
equipas.
O
facto de ser um treinador “descredenciado” faz aumentar ainda mais o valor deste
seu empate. Segundo as regras da Liga NOS, o Silas não tem a totalidade da
certificação para ser treinador-principal nesta competição por não possuir o
Nível IV de Treinador. Contudo, Silas mostra-nos que, por um lado, não são
precisos canudos para mostrar a real competência do indivíduo; por outro
leva-nos a inferir que ele valoriza o acto de treinar de uma forma partilhada
com os seus adjuntos.
Em
relação a este último ponto, Silas, escolheu nomes como Zé Pedro, um ex-colega
de meio-campo no próprio Belenenses, que até se iniciou nas lides do treino de
uma forma interessante ao serviço do Alcochetense. E Nuno Presume, ex-colega
nos painéis da SportTV que pela obrigatoriedade regulamentar de ter alguém com
o Nível IV na sua equipa técnica terá forçosamente de ser respeitado pelo
próprio Silas. No caso de Nuno Presume, parece ser alguém que na teoria e
comunicação social mostra excelentes análises daquilo que é o a complexidade do
Jogo.
Esperamos
muito que esta partida não tenha sido um acidente no caminho do Silas e que
esta proposta de jogo lhe permita vir a alcançar todo o sucesso que merece. A
jogar assim podemos não saber se ganha, mas estará mais perto de o fazer do que
maior parte das outras equipas da Liga NOS.