
Quando
se compara o futebol do presente com aquele que era jogado há alguns anos
atrás, saltam à vista determinados factos que parecem abordar uma tendência
evolutiva do Jogo.
Uns
mais relacionados com a dimensão táctico-física do Jogo, como o aumento das
distâncias percorridas pelos jogadores, o incremento do número de jogos
realizados por época e até a alteração morfológica dos jogadores. Outros, mais
orientados para a dimensão táctico-estratégica, como a exponenciação da zona
pressing em determinados processos defensivos, ou a eficácia e eficiência dos
princípios e sub-princípios de posse em determinados Jogares como por exemplo o
do “tiki-taka”.
Até
mesmo sobre as equipas técnicas que compõem as equipas de futebol, estamos a
assistir ao aparecimento ou consolidação de novas funções. Uma vez mais, conectadas
sobretudo ao físico e ao estratégico do Jogo, como o são respectivamente os
recuperados físicos e os analistas (e não observadores, que a nosso ver
são cargos diferentes).
Se
olharmos para estes factos de uma forma mais linear e menos sistémica,
poderemos dizer que o Futebol estará a caminhar num trilho muito próspero, de
elevada qualidade com os jogadores a serem cada vez melhores atletas,
orientados cada vez mais por inputs tecnológicos, que permitem aos jogadores
apresentarem-se com uma eficácia de prestação quase comparada a um ser
mecânico…
Mas
será que os factos não reclamam outra análise? Acreditamos que sim.

Embora
reconheçamos que só com uma boa organização colectiva o talento individual
poderá emergir, é o TALENTO dos jogadores que mais parece estar estagnado na
perspectiva evolutiva do Jogo.
Reconhecemos
a importância da evolução de determinados parâmetros comportamentais dos
jogadores e das equipas. Mas se o Futebol evoluiu na tal dimensão física e
estratégica porque não evolui também na dimensão mais táctico-técnica? Porque é
que ainda é tão difícil vermos jogadores a top serem exímios no último passe?
Porque é que determinadas fintas 1v1 só ainda existem no YouTube? Porque é que
quando vemos um golo de “pontapé de bicicleta” ou um passe “de letra” ainda ficamos tão admirados?
Porque é que ainda vemos jogadores a top tão limitados com o seu pé-fraco?
Porque é que há guarda-redes que quando têm a bola nos pés se atrapalham tanto
com ela?
Num
futebol cada vez “mais forte, mais rápido e mais alto” tem que haver
obrigatoriamente espaço para o TALENTO. Se não houver, deixaremos de lhe chamar
Futebol.